Dona Sebastiana e o Brasil real

Um dos principais problemas do nosso Brasil(zão) é a morosidade da justiça. Salta aos olhos a quantidade de pessoas detidas que nem mesmo foram julgadas. Para alguns casos, a pena para o crime já expirou e o individuo continua preso.

Queixas, indenizações, restituições. Processos e mais processos se avolumam nas comarcas e fóruns. Tal situação não se aplica a poderosos endinheirados, ou a políticos, igualmente poderosos e endinheirados.

O que dizer do senhor Luiz Inácio Lula da Silva? Esse senhor, que alguns insistem em lhe atribuir alguma virtude, ficou preso por 30 dias nos anos 80, por liderar greves. Lembremos que no período, os militares governavam o país. Pois bem, nessas quatro semanas preso, o senhor Lula não foi torturado (felizmente), não foi condenado (infelizmente). Ao contrário, foi muito bem tratado, conforme relatos de pessoas que acompanharam de perto o caso.

Por conta de todo esse “sofrimento” o sedizente operário, recebe desde então, um salário mensal de R$ 6.000.

E o que D. Sebastiana tem haver com isso? Nada. Mas a sua história nos comove e nos deixa indignado.

Leiam essa reportagem de Fausto Macedo, no Estadão.

Por Julia Affonso

Sebastiana Francisca de Souza, de 93 anos, moradora do povoado Dois Irmãos, em Pontalina, no interior de Goiás, conseguiu na Justiça o direito de receber pensão por morte previdenciária.

O benefício chegou com trinta e cinco anos de atraso. O marido de Sebastiana morreu em 1980. A idosa teve 12 filhos, mas apenas dois estão vivos. Ela vai receber um salário mínimo mensal, além do abono anual previsto, com efeitos retroativos à data da citação, ocorrida em 4 de fevereiro de 2014. Segundo Sebastiana, o benefício “vai ajudar nas despesas da casa e na compra de remédios”.

Voltamos:

O que você me diz, caro leitor, cara leitora?

A conclusão a que chego é que no Brasil, o principal fator de desigualdades é a injustiça. Não, não é a tal da “injustiça social” propalada por esquerdopatas, mas sim, a injustiça mesmo, aquela em que as leis não são aplicadas ou são mal aplicadas. Aquela injustiça em que a burocracia atrasa não somente o desfecho de uma ação, mas atrasa a vida, de milhões e milhões de brasileiros.

O marido de D. Sebastiana morreu na década de 80. Era um trabalhador e com certeza não morreu empunhando uma arma por uma “causa”. Por que tenho essa certeza? Porque a viúva, hoje com 93 anos de idade, esperou 35 anos de sua vida para que a justiça fosse feita. Agora, essa humilde senhora receberá de pensão um salário minimo.

Tivesse seu marido feito parte de algum grupo terrorista. Tivesse seu marido sido preso, a exemplo de Lula, Dona Sebastiana a 35 anos estaria recebendo uma gorda pensão.

Mas não. A única causa para o marido dessa senhora era trabalhar e sustentar sua família e por isso, eles fazem parte do Brasil real e esse Brasil, em sua crua realidade, não nos deixa esquecer o velho ditado: Para os amigos tudo, para os inimigos, a lei.

Por Jakson Miranda

 

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