O Brasil está sendo gradualmente vendido para a China?

A estratégia que os chineses adotaram aqui no Brasil foi muito similar a implementada em outros países.

Já faz alguns anos que os chineses estão de olho nas inúmeras riquezas que existem em território brasileiro. A China está fazendo negócios e parcerias com uma quantidade enorme de países — quase o mundo inteiro, praticamente — e a irrefreável voracidade política e econômica do Dragão Asiático parece impossível de ser contida. Aqui no Brasil, já faz um bom tempo que eles estão ganhando terreno, e nenhuma resistência factual está sendo oferecida contra as pretensões imperialistas do Dragão Asiático.

Em 2010, ainda durante o governo de Dilma Rousseff, a estatal chinesa de energia State Grid — a maior do mundo no setor — chegou ao Brasil com um ambicioso plano de fusões e aquisições. Assim que chegou, a estatal chinesa avançou sorrateiramente. Primeiro, comprou a participação da Companhia Paulista de Força e Luz — CPFL Paulista — que cabia a Camargo Correa; depois comprou a parte que pertencia a Previ e a Bonaire. Aos poucos, a State Grid foi adquirindo as ações e participações de outros grupos e conglomerados sobre a companhia. Também conseguiu adquirir exclusividade em nove projetos de fornecimento de energia elétrica. A companhia também manifestou interesse em seis distribuidoras gerenciadas pela Eletrobrás.

Progressivamente, a poderosa companhia chinesa foi ganhando força e adquirindo espaço. E hoje é uma empreitada colossal, da qual parte de nosso país depende para o fornecimento de energia. O que será, se continuar assim? Além do setor energético, os chineses pretendem ampliar sua atuação em muitas outras áreas, como transporte, saúde e mercado financeiro, o que é no mínimo terrivelmente preocupante.

A expansão das atividades chinesas no Brasil ocorre da mesma maneira que tem ocorrido em outros países, como Zimbábue e Mauritânia. Acordos políticos e diplomáticos precedem aquisições em larga escala em praticamente todos os setores da economia. Burocratas mafiosos são comprados e subornados. Tudo passa a ser administrado por executivos chineses. Gradualmente, eles vão tomando conta de setores estratégicos, até que por fim adquirem tanto poder, que ficam livres para mandar em tudo e fazer todo o tipo de exigências das nações colonizadas.

A conquista chinesa do Zimbábue, por exemplo — iniciada há quase duas décadas — começou assim.

Ainda na época de Hu Jintao — que foi presidente da China de 2002 a 2012 — o Dragão Asiático começou a aproximar-se deste isolado país africano, assim como começou a colonizar muitas outras nações do continente africano.

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No Zimbábue, o fato de ser uma ditadura — de 1980 a 2017 o país foi governado pelo tirano socialista Robert Mugabe — tornou a nação ainda mais suscetível aos chineses. Tudo o que eles tiveram que fazer para dominar o país foi encher de dinheiro as contas bancárias particulares de Mugabe, que concedeu aos chineses o monopólio exclusivo sobre todos os setores que os interessavam. Acontece que, rapidamente, os chineses tomaram conta de praticamente tudo; das riquezas minerais à construção civil, passando pela administração de lucrativas empresas, chegando até mesmo a adquirir pequenos negócios e empreendimentos familiares, gradualmente o Zimbábue se tornou uma colônia chinesa. Destino este compartilhado por algumas dezenas de países na África e na Ásia.

O resultado da colonização foi exatamente o esperado. Os zimbabueanos se tornaram escravos em seu próprio país. A qualidade de vida — que já não era das melhores — decaiu de forma drástica. Conforme os chineses foram se apossando dos principais negócios do país, os salários e as condições laborais dos trabalhadores declinaram de forma severa. A população sentiu de forma intensa o domínio dos chineses sobre o seu país, especialmente pelo fato de que passaram a depender dos chineses para tudo. Para ter emprego, para ter moradia, para se alimentar e para sobreviver.

As condições e a qualidade de vida dos trabalhadores foi seriamente prejudicada, e não adiantava nada recorrer aos sindicatos para reclamar. Os patrões chineses passaram a desfrutar de proteção governamental. Como o governo chinês havia comprado Mugabe — e muitos outros políticos de nível local e regional —, os corporativistas e colonizadores chineses que se tornaram os grandes proprietários dos principais negócios do Zimbábue usufruíam de total imunidade para fazer o que quisessem.

Outra estratégia que os chineses usam para possuir de facto o país que estão colonizando é deixá-lo completamente endividado. Foi o que fizeram, por exemplo, no Paquistão. No Zimbábue, há pouco menos de dez anos, os chineses começaram a construir um enorme complexo militar — que a esta altura possivelmente encontra-se concluído e operante —, cujo valor estimado foi de aproximadamente U$ 98 milhões. Como o governo zimbabueano evidentemente não possui fundos para quitar esta dívida colossal, o complexo militar possivelmente vai acabar se tornando propriedade do exército chinês.

Claro, é possível que esta situação mude. Mugabe foi deposto em 2017 — através de um golpe militar pacífico — e em setembro de 2019 ele morreu, aos 95 anos. Agora, resta saber se o atual presidente do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, vai fazer alguma coisa à respeito para mudar essa situação e recuperar o seu país. A julgar pela estratégia chinesa de comprar políticos indiscriminadamente, é bem provável que não. Se ele protestar, os chineses irão simplesmente encher a sua conta bancária de dinheiro, assim como fizeram com Mugabe. Portanto, é bem possível que no Zimbábue tudo continue como está.

A estratégia que os chineses adotaram aqui no Brasil foi muito similar a implementada em outros países. Gradualmente, os chineses se inserem na nação que pretendem conquistar, afirmando que querem fazer negócios, e que estao ansiosos em estabelecer uma sólida e coesa parceria comercial. Eles apresentam-se sempre de forma cordial, muito alegres e sorridentes. Depois que esta etapa é concluída, eles começam a se apoderar de setores estratégicos, e gradativamente vão avançando sobre outros setores, até deixar o país em questão em uma condição de completa e total dependência, enquanto suas riquezas naturais são extraídas e enviadas para os principais conglomerados chineses.

Evidentemente, os chineses são inteligentes. Eles sabem se adaptar às circunstâncias e usam as fraquezas da nação a ser conquistada a seu favor. Infelizmente, o mundo — de uma forma geral — ainda não foi capaz de despertar e perceber a terrível ameaça que o Dragão Asiático representa. Quanto a nós, ou lutamos por liberdade, ou um belo dia acordaremos na condição de escravos da ditadura chinesa.

Por Wagner Hertzog

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