A esquerda e a intolerância da imperfeição

Esse é um dos seus inúmeros maus: a esquerda e a intolerância em relação à imperfeição da natureza humana.

Uma das principais características da esquerda política é a sua inflexível intolerância com relação às falhas e imperfeições da natureza humana. Como é um movimento de adolescentes e adultos guiados essencialmente pela emoção — e não por conhecimento e racionalidade —, o que mais encontramos na esquerda são pessoas adultas que se comportam como pirralhos agressivos e mimados, que ficam aturdidos e indignados por não terem à sua disposição tudo aquilo que desejam. Consequentemente, de maneira egoísta e imediatista, julgam que ter todas as suas vontades e necessidades atendidas são um “direito” inerente; pago, evidentemente, com o dinheiro dos outros.

A esquerda e a intolerância e sua mentalidade infantil

Assim, por ser justamente um movimento de pessoas com mentalidade essencialmente utópica e infantil, não existe nenhuma capacidade entre pessoas de esquerda em reconhecer com naturalidade as limitações e imperfeições da natureza humana. Portanto, não importa o quanto idealizem, a perfeição não tem como existir; na verdade, sequer chegaríamos perto dela em qualquer circunstância. Logo, entre militantes de esquerda, não há o reconhecimento tácito de que seres humanos são naturalmente imperfeitos. Portanto, políticos e burocratas em posição de poder serão invariavelmente corrompidos. Só porque um ativista ou um político é de esquerda, isso não significa que ele é uma pessoa impecável, perfeita e incorruptível, acima de qualquer suspeita; como a esquerda tende a supor, em todos os casos envolvendo a sua preciosa ideologia de estimação.

Por sua natureza inerentemente utópica, no entanto, é natural que militantes de esquerda sejam o que um internauta certa vez descreveu como “ideólogos da perfeição”. Não raro falhas e deficiências que são inerentes a uma sociedade humana imperfeita servem de pretexto para as reclamações mais coléricas e furiosas por parte dos militantes, que são absurdamente intolerantes com relação a problemas que são simplesmente uma parte indissociável das turbulências, atritos e divergências resultantes das interações humanas, das quais é impossível escapar plenamente. Aqui, não significa que não possamos amadurecer, evoluir, lutar pela solução de problemas. Sim! Não apenas podemos como devemos lutar pelo progresso e pela prosperidade da sociedade.

Desculpas sem solução

Não obstante, com sua intolerância radical à imperfeição humana, a esquerda tornou-se um movimento de criancinhas mimadas e choronas, que pouco fazem pelo progresso e pelo desenvolvimento da sociedade. Mas antes, se prestam a choramingar e a reclamar de praticamente tudo. A esquerda reclama de palavras, expressões, do homem que age como um homem — sendo acusado de “masculinidade tóxica” —, do “patriarcado”, do cristianismo, da burguesia (da qual uma expressiva parcela de esquerdistas fazem parte), do capitalismo; e acredita sinceramente que o estado é capaz de consertar todos esses “problemas”. Aliás, muitos dos quais não chegam a ser exatamente problemas, a não ser pela ótica distorcida da esquerda.

Às vezes, parece que a esquerda está mais empenhada em arrumar desculpas para conquistar o poder, do que efetivamente gastando tempo na resolução dos problemas que ela afirma combater. Uma coisa que a esquerda não entende, por exemplo, é que a pobreza é mitigada muito mais pela caridade do que pelo estado. Tomemos a África como exemplo. Especialmente nos países mais pobres, a caridade ajuda muito mais os miseráveis e os necessitados do que o estado, que serve apenas para roubar a sociedade produtiva através de impostos excruciantes. Nada do que é arrecadado é empregado para ajudar os pobres, mas antes para enriquecer os políticos e os integrantes da máfia estatal.

Portanto, se fossem depender do estado, os famintos e os necessitados da África já teriam todos morrido de fome. E o que a esquerda omite é que a maioria do auxílio prestado vem de instituições de caridade cristãs, religião que a esquerda tanto hostiliza e menospreza. O cristianismo faz — como sempre fez —, muito mais para mitigar o sofrimento dos pobres e miseráveis do que a esquerda jamais fez ou fará algum dia. Para a esquerda, os pobres nunca passaram de massa de manobra e capital político.

Finalizando

Infelizmente, a esquerda não passa de um movimento de pessoas infantis, que se prestam mais a reclamar do que agir. Adultos maduros — que possuem virtudes salutares, como elevada capacidade analítica, autocontrole e autodomínio. Bem como um conhecimento coeso da natureza humana — sabem muito bem que a perfeição é um ideal impossível.

Assim, a esquerda, em função de seu caráter utópico, está sempre vislumbrando a perfeição como algo tangível. Enquanto isso, seus adeptos se põem a berrar, espernear, reclamar e xingar quando os ideais de sua agenda, por diversas razões, esbarram nas ingerências de uma sociedade humana imperfeita e precária. Por essa razão não se tornam realidade. Em essência, a esquerda não passa de um movimento de adolescentes e adultos que se comportam como crianças teimosas e mimadas. Também não são pessoas felizes. Logo, o desejo de agredir pessoas com pensamentos, crenças e mentalidade diferente diz muito à respeito dessa perniciosa e nefasta ideologia autoritária. Basta ver como agem quando estão no poder. A esquerda simplesmente destrói os países nos quais se torna a força política dominante. Aonde ela não está no poder, seu desejo voraz e ensandecido por ocupá-lo diz tudo o que precisamos saber sobre ela.

Sabendo que não pode contar com a simpatia das pessoas para implantar sua agressiva e mortífera utopia revolucionária, ela está sempre desesperada pelo poder, para implantá-lo usando a força do estado.

Finalmente, não reconhecer as deficiências e imperfeições da natureza humana é um dos maiores defeitos da esquerda. Isso mostra que o desejo frenético da utopia por “reparar” a sociedade humana é muito superior ao respeito individual; por cada um dos integrantes que compõem a sociedade.

Em síntese, esse é um dos seus inúmeros maus: a esquerda e a intolerância em relação à imperfeição da natureza humana.

Por: Wagner Hertzog

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