A esquerda está errada: a desigualdade é algo natural

A esquerda está errada: a desigualdade é algo natural

A desigualdade sempre foi uma das bandeiras da esquerda política, apesar da desigualdade de maneira alguma ser um problema

A desigualdade sempre foi uma das bandeiras da esquerda política, apesar da desigualdade de maneira alguma ser um problema, apenas na distorcida percepção de realidade dos progressistas, que anseiam impor pela força uma padronização vertical sobre toda a sociedade, para torná-la igualitária e homogênea. A pobreza é um problema a ser combatido, e que se combate preferencialmente no mercado através da geração de riquezas. Pobreza e desigualdade, no entanto, não são sinônimos, muito pelo contrário. São conceitos radicalmente diferentes.  

A desigualdade é e sempre foi um elemento natural da humanidade, visto que todos os indivíduos da sociedade são naturalmente diferentes, e não se comportarão da mesma maneira mesmo que os coloquemos em situações similares ou idênticas. Por exemplo, se você pegar um milhão de reais, e der cem mil para dez indivíduos diferentes, verá que — apesar de ter dado a todos eles exatamente a mesma quantia de dinheiro — depois de um ano e meio, se você verificar a situação particular de cada um deles, perceberá que os resultados obtidos terão sido muito diferentes.

Isso porque enquanto alguns indivíduos terão investido o seu dinheiro de forma dinâmica e inteligente para ter algum conforto e tranquilidade no futuro, outros terão simplesmente se aventurado na busca por prazeres e gratificação imediatos. Enquanto alguns destes indivíduos possivelmente terão gasto todo o seu dinheiro em pouco tempo, outros o terão duplicado, triplicado, talvez até mesmo quadruplicado ou quintuplicado o valor recebido, em virtude dos respectivos investimentos dados à quantia que lhes foi confiada, seja investindo em ações na bolsa de valores, como sócios de uma grande companhia, em investimentos diversos ou até mesmo abrindo o próprio negócio. Se dermos o mesmo valor para pessoas diferentes, cada uma delas dará um destino muito particular para o dinheiro recebido.

Infelizmente, na sua ânsia absurda por controle, a esquerda política não compreende que é absolutamente impossível prever com exatidão a ação humana, visto que seres humanos são, por natureza, imprevisíveis. E como seres humanos irão se comportar de formas e maneiras drasticamente diferentes, os resultados obtidos por cada indivíduo irão depender muito de suas tendências, objetivos, padrão de comportamento, sorte e circunstâncias pessoais e profissionais, sendo que muitas delas estarão fora do seu controle. Quando comparamos um indivíduo com outro — apenas para fins metodológicos —, não raro vamos constatar que uns foram mais bem-sucedidos do que outros, em virtude de uma série de fatores e variáveis, com graus maiores e menores de complexidade. Ainda que competência se mostre sempre um predicado fundamental para o sucesso profissional e financeiro de um indivíduo, da mesma maneira elementos como sorte, conexões e os contatos corretos são variantes que podem fazer a diferença.

É claro que o país onde o indivíduo vive também contará muito para a sua sorte e o seu sucesso. Por exemplo, se você abrir uma cervejaria artesanal nos Estados Unidos, seu êxito — ainda que não seja garantido, afinal, você pode falir — será muito mais provável do que se você abrisse a sua empresa na República Centro-Africana. Se você abrir uma empresa de chocolates artesanais ou um restaurante na Suíça, seu negócio terá muito mais chances de prosperar do que se você abrisse na Guiné Equatorial. Afinal, quanto mais liberdade econômica houver no país onde você mora, maiores serão as suas chances de conseguir prosperar. A liberdade econômica é fundamental para que os indivíduos alcancem êxito e prosperidade. Em países onde não existe liberdade econômica, as possibilidades de sucesso são drasticamente reduzidas, para não dizer quase inexistentes.

No Brasil, no entanto — embora a esquerda não goste de admitir isso, porque depõe contra a sua narrativa — a verdade é que quem realmente gera e difunde a desigualdade é o estado. Hoje, temos o segundo congresso mais caro do mundo, que fica atrás apenas do congresso americano, e temos também o judiciário mais caro do mundo. Nossos deputados tem salários que chegam quase a trinta e quatro mil reais. Os ministros do STF ganham salários de pouco mais de trinta e nove mil reais. Ganhavam um salário do mesmo valor dos salários dos deputados, mas receberam aumento no final de 2018. Quando os integrantes do STF ganharam aumento salarial, o deputado Fábio Ramalho, do MDB, passou a exigir o mesmo aumento para a sua categoria.

Como se não bastassem os salários monumentais, a classe política usufrui de um enorme cabedal de privilégios e benefícios, como auxílio-paletóauxílio-moradia e passagens aéreas ilimitadas. Frequentemente senadores gastam quase mil reais em uma única refeição. Humberto Costa — senador pelo PT — já gastou mais de quinhentos reais em um restaurante japonês em uma única refeição.

A classe política, no entanto — entre as várias castas da elite estatal —, ainda é a que menos ganha. Hoje, temos diplomatas com salários enormes, para não falar de desembargadores cujos vencimentos podem chegar a cem mil reais juízes que ganham salários de seiscentos mil reais. Haja imposto sendo cobrado da população para pagar todos esses marajás do funcionalismo público!

A esquerda reclama da burguesia, mas — de maneira muito hipócrita — jamais fala contra os gigantescos super-salários e os privilégios da aristocracia política e das elites do funcionalismo público. Como não é honesta, muito menos construtiva, a esquerda nunca fala de onde realmente vem a desigualdade: do estado, que paga aos seus funcionários salários e benefícios irrealistas, ostensivamente desproporcionais ao que é praticado no mercado.

A verdade, no entanto, é que a desigualdade nunca foi um problema, ao contrário da pobreza, que a esquerda nunca se propõe a resolver, mas persiste em ignorar de forma quase impreterível, contentando-se em “resolver” o problema com medidas paliativas como assistencialismo.

A desigualdade, na verdade não passa de um verniz sutil para a inveja, o verdadeiro sentimento que está por trás do ódio contra todos aqueles que conquistaram algum nível de êxito e prosperidade em suas vidas. A obsessão da esquerda por padronização e homogeneização da sociedade esconde o ódio da militância contra todos aqueles que tornaram-se prósperos e bem-sucedidos. E é claro que quando a esquerda fala em desigualdade, ela jamais leva em consideração o estado, a instituição que cria e perpetua a desigualdade. O alvo do ódio da militância é sempre o mercado e os indivíduos que retiram seu sustento da iniciativa privada.

Quando fala em desigualdade, a esquerda na verdade está tentando criminalizar pessoas bem-sucedidas, exigindo de forma autoritária que elas sejam expropriadas à força pelo estado para planificar a sociedade de maneira uniforme, com o produto daquilo que foi compulsoriamente confiscado pelo estado sendo redirecionado ao invejoso, que — por arrogância e prepotência — se acha no direito de usufruir de determinados bens e serviços, que ele não foi competente o suficiente para conquistar através de trabalho honesto. Como a Dama de Ferro, Margaret Thatcher, disse, “todo comunista é um incompetente fracassado que acha que as pessoas de sucesso lhe devem alguma coisa”.

Isso é o que a esquerda faz de melhor. Explora a inveja das massas e conquista o seu eleitorado com promessas de “coisas grátis”, que na verdade são os frutos do trabalho da sociedade produtiva, extorquidos através de taxação corrosiva, arbitrária e sistemática. E cuja maior parte serve quase que exclusivamente para forrar os bolsos e as contas bancárias dos parasitas do estado.

No final das contas, a luta contra a desigualdade acaba sendo sempre uma luta pela manutenção da pobreza, e a favor das riquezas cada vez maiores dos burocratas. Expropriar a sociedade produtiva nunca enriquece a sociedade, apenas os parasitas que controlam o estado. Embora o governo sempre distribua algumas migalhas para que a população veja como os dirigentes políticos são pessoas boas, justas e caridosas, a maior parte do que é espoliado vai para abastecer as elites do estado, os marajás, os juízes, os ministros e a burocracia que compõe o funcionalismo.

A verdade é que a delirante luta da esquerda contra a desigualdade nunca contribuiu em absolutamente nada para o desenvolvimento do mundo real. Serve apenas para a alimentar a inveja da militância, fortalecer os discursos populistas e induzir a manada a pensar que tem o direito de exigir coisas “grátis” do estado. A luta contra a desigualdade é efetivamente a luta pela manutenção do ódio e da inveja no núcleo da sociedade.

Por Wagner Hertzog

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *