A hipocrisia da esquerda — Detesta a burguesia, mas venera políticos ricos

Hipocrisia e esquerda não apenas combinam, como poderiam ser sinônimos.

Hipocrisia e esquerda não apenas combinam, como poderiam ser sinônimos. Políticos de esquerda são os primeiros a criticar os supostos malefícios do capitalismo, mas também são os primeiros a se esbaldar no luxo e na riqueza que apenas o capitalismo pode oferecer. Militantes, por sua vez, estão sempre criticando a “burguesia” — vocábulo arcaico muito empregado por socialistas do século 18 até os dias de hoje, que significa elite ou aristocracia —, mas ao mesmo tempo, idolatram políticos e funcionários públicos excepcionalmente ricos.

Na verdade, não apenas os veneram com incondicional fervor e idolatria, mas ficam furiosos com quem não faz o mesmo, com quem reclama seu direito de independência e autonomia, com quem tenta se livrar dos grilhões escravagistas do estado.

Afinal, a esquerda é contra ou a favor do acúmulo de riquezas? A verdade é que a esquerda é parcial, e nessa questão tudo depende de como foi realizado o acúmulo de riquezas. Geralmente, a esquerda é contra quando são empresários que enriquecem na iniciativa privada, entregando produtos de qualidade ao consumidor e gerando empregos, mas é totalmente a favor quando um político ou funcionário público fica extremamente rico usando o estado. Ao menos, nunca vimos a esquerda reclamar de políticos ricos, ou manifestar indignação com relação aos salários extravagantes que ganham, além dos imensuráveis e suntuosos benefícios dos quais usufruem. Tudo pago pelo dinheiro do contribuinte.

Embora afirme defender os mais pobres, a verdade é que na prática a esquerda sempre defendeu os ricos. E para provar isso, podemos usar inúmeros exemplos práticos. Para começar, sabemos que a esquerda defende uma carga tributária elevadíssima. Há impostos embutidos em todos os produtos que consumimos. Como o Brasil está entre os quinze países com maior carga tributária do mundo, vivemos saturados com miríades de impostos. Impostos federais, estaduais, municipais, diretos e indiretos estão a todo momento devorando os nossos parcos rendimentos financeiros. A esquerda não apenas defende isso vigorosamente, como apoia esse sistema. Isso faz com que a grande maioria dos produtos disponíveis no mercado se tornem inacessíveis aos mais pobres e as classes de menor poder aquisitivo; afinal, — em decorrência da carga tributária brutal que nos escraviza — absolutamente tudo no Brasil é muito caro.

A esquerda defende este assalto hostil contra o contribuinte porque afirma — erroneamente — que impostos elevados ajudam os mais pobres. Assim, tecnicamente, os recursos arrecadados pelo estado podem ser revertidos em benefícios assistencialistas, mitigando a miséria daqueles que sofrem com a pobreza. Outro grave equívoco, completamente afastado da realidade. A grande maioria do dinheiro que o estado arrecada com impostos não é redirecionado para os mais pobres, mas para a alta elite do funcionalismo.

A verdade é que no Brasil, qualquer funcionário público que possua um salário superior a cinco mil reais fica entre os 10% mais ricos da população. Ao defender políticos e funcionários públicos com vigorosa veemência — como normalmente faz —, a esquerda mostra que na prática defende os ricos. Mas é claro que ela jamais admitiria isso, pois esse fato depõe contra a sua ideologia.

Ao defender um estado gigante — que sobrecarrega a sociedade produtiva com uma carga tributária brutal e excruciante —, a esquerda favorece os ricos que estão diretamente ligados ao estado: a classe política e a alta elite do funcionalismo público. Isso é fato consumado.

O que a esquerda parece ser incapaz de compreender é que a maior parte do que o estado arrecada não vai para os pobres — muito pelo contrário —, mas serve para pagar os imensuráveis salários da alta aristocracia que faz parte do estado. Permita-me citar alguns exemplos práticos. Hoje, deputados federais recebem salários de aproximadamente trinta e quatro mil reais por mês, diplomatas recebem salários de aproximadamente cem mil reais por mês, desembargadores recebem salários de aproximadamente duzentos mil reais por mês, e juízes recebem salários de aproximadamente seiscentos mil reais por mês. Isso sem contar com a enorme quantidade de privilégios e benefícios adicionais, como auxílio-moradia, auxílio-paletó e passagens aéreas ilimitadas, além de muitas outras facilidades à disposição. Novamente, tudo pago com o dinheiro do contribuinte.

Como se não bastassem os salários monumentais e os generosos benefícios adicionais, que estão muito além dos rendimentos do brasileiro comum, a toda hora essas classes de funcionários do estado exigem aumento. No final de 2018, os ministros do STF aumentaram os seus próprios salários para trinta e nove mil reais por mês. Os políticos, evidentemente, não gostaram, e passaram a exigir que seus salários recebessem o mesmo aumento. Fábio Ramalho — deputado federal pelo MDB — passou a defender que a sua classe recebesse aumento igual ao que recebera o STF. Cínico, o parasita estatal chegou a afirmar que seus colegas “passam necessidades” com o salário de “apenas” trinta e quatro mil reais. Sem dúvida nenhuma, um escárnio tão deplorável quanto nefasto sendo desferido contra os cidadãos brasileiros.

Outro exemplo igualmente repulsivo aconteceu em São Paulo. O deputado Arthur Moledo do Val, ativista político muito conhecido por seu canal do YouTube chamado Mamãe Falei, recebeu em seu gabinete sindicalistas e funcionários públicos que exigiam aumento, pois estavam descontentes com seus salários de “apenas” dezoito mil reais. Estes reclamavam que seus dividendos — demasiadamente exorbitantes, diga-se de passagem — não eram suficientes para se viver dignamente.

Infelizmente, exemplos repulsivos dessa natureza são bastante comuns. Em setembro de 2019, alcançou repercussão nacional o caso de um Procurador do Ministério Público de Minas Gerais que reclamou do salário de “apenas” vinte e quatro mil reais. Ele foi gravado em um áudio que veio à público, onde ele exigia aumento do seu salário, que qualificou como um “miserê”. Evidentemente, o caso gerou expressiva repercussão nacional, deixando brasileiros de norte a sul do país extremamente indignados e revoltados.

A verdade é que todos esses salários exorbitantes que funcionários públicos ganham são custeados com dinheiro confiscado da sociedade produtiva através de implacável e sórdida taxação. No Brasil, todos trabalhamos para sustentar uma aristocracia estatal suntuosa, elitista e nababesca, que está entre as mais caras do mundo. Políticos de países desenvolvidos não usufruem dos privilégios e benefícios que a classe política aqui no Brasil desfruta há muito tempo.

Permita-me citar outro exemplo prático nessa questão. Há vários meses — no estado do Tocantins —, juízes decidiram aumentar o seu vale-alimentação, que de mil e duzentos reais por mês passou para mil e setecentos. Apenas esse “pequeno” privilégio já é muito superior aos salários da maioria da população. Isso custará mais de doze milhões por ano aos cofres públicos. Onde está a esquerda para reclamar e combater esse abuso extorsivo que está sendo cometido contra os habitantes do estado do Tocantins?

Sabemos muito bem que a esquerda diz combater privilégios, o que é uma mentira. Nunca vimos a esquerda combater os privilégios nababescos usufruídos pela alta elite do funcionalismo público. A esquerda combate apenas supostos “privilégios” que ela enxerga como sendo incompatíveis com a sua ideologia. Mas quando são privilégios relacionados a elite do estado, a esquerda não reclama nunca.

Ao exigir que a sociedade pague impostos exorbitantes em tudo, o que a esquerda faz é justamente o contrário do que ela afirma no seu discurso. Ao validar a expropriação institucionalizada do estado contra os pobres e contra a classe média — as classes que efetivamente trabalham, produzem e movem essa locomotiva industrial chamada Brasil —, ela permite justamente que as classes mais depauperadas e destituídas fiquem ainda mais desprovidas de recursos. No Brasil, são os pobres que sustentam os ricos, e a esquerda é condescendente e conivente com essa situação deplorável.

Ela apoia o assalto do estado contra os pobres — através de impostos agressivos e taxação exorbitante — para que estes sustentem a alta aristocracia do funcionalismo, com seus salários extravagantes, e todo o seu enorme cabedal de privilégios e benefícios. O estado brasileiro na verdade é uma grande máquina de transferência de renda, que confisca os rendimentos dos pobres, e os redireciona para os ricos. Expropria-se a sociedade produtiva, que é composta por pobres e pela classe média, através de agressiva tributação, e o dinheiro confiscado é redirecionado para a alta aristocracia do estado, da política e do funcionalismo.

Isso nos remete ainda a uma questão muito importante, a desigualdade, outra das bandeiras da esquerda. A esquerda reclama histericamente da desigualdade, mas quem produz desigualdade de fato é justamente o estado, porque paga aos seus funcionários salários absurdos e irrealistas, completamente desproporcionais aos que são praticados no mercado. Isso resultou na formação de uma aristocracia de privilegiados, cujas riquezas, salários imensuráveis e abundância de recursos os permitem viver em uma realidade paralela, muito distante daquela enfrentada pelo brasileiro comum. A esquerda permanece obtusa para o fato de que quem produz desigualdade na prática é o estado, por pagar aos seus funcionários salários desmesuradamente exorbitantes. A esquerda persiste em reclamar da desigualdade, mas jamais reclama do que causa a desigualdade, o estado; que vem a ser justamente a instituição que promove a maior concentração de renda no país. Seria hipocrisia, burrice ou desonestidade? Acredito que um pouco dos três.

A esquerda na prática não passa de uma coalizão de pirralhos chorões, que estão sempre reclamando, esperneando e gritando. Nunca buscam solucionar problemas de fato, tudo o que sabem fazer é louvar continuamente o deus-estado e o papai-governo. Reclamam continuamente da pobreza, mas jamais oferecem soluções práticas para atacar o problema. Quem conhece a situação de nosso país sabe que o Brasil é pobre porque o estado soviético suga todas as riquezas geradas e produzidas pela sociedade — através de impostos, taxas, tarifas e contribuições compulsórias — para sustentar a aristocracia política e a alta elite do funcionalismo, que vive em uma condição vitalícia de esplendoroso luxo e suntuosidade, enquanto uma parcela considerável da nação sobrevive na mais deplorável e contumaz miséria. Que engraçado, isso os guerreiros da justiça social e os combatentes da desigualdade não enxergam.

Aqui no Brasil, pela sua atuação sórdida e deplorável, aprendemos que a esquerda é contra indivíduos que se tornam ricos na iniciativa privada; no entanto, ela jamais reclama dos indivíduos que ficam ricos através do estado ou da política. Ela reclama de empresários que ficam ricos produzindo e gerando empregos, mas como é invariavelmente hipócrita, ela jamais reclama dos indivíduos que ficam ricos fazendo carreira como parasitas profissionais. Políticos e funcionários públicos nada produzem, eles são consumidores líquidos de impostos. Ao contrário de empresários, empreendedores e trabalhadores, que estão produzindo. Eu e você trabalhamos arduamente para sustentar essa gente. A esquerda, no entanto, é contra pessoas que ficam ricas produzindo, mas não é contra pessoas que ficam ricas parasitando aqueles que estão produzindo. Hipocrisia pura. Não poderia ser diferente. Como expliquei no início deste artigo, hipocrisia e esquerda não apenas combinam, como poderiam ser sinônimos.

Por: Wagner Hertzog

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