A histeria do homem coletivo

O homem coletivo — permanentemente histérico e beligerante

O homem coletivo, incapaz de amadurecer e sempre ofendido

O “homem coletivo” faz parte da geração floquinho de neve — que está sempre ofendida e magoada com tudo — é definitivamente incapaz de amadurecer. Compreender a intricada complexidade da realidade, as deficiências e ingerências inerentes à condição humana e o fato de que a sua utopia é incompatível com o mundo em que vivemos, por uma série de fatores, são elementos que permanecem sendo um anátema para a militância progressista, que persiste em ignorar ostensivamente tudo aquilo que é considerado inconveniente para a sua ideologia.

No entanto — justamente por ter um caráter fantasioso e utópico —, a esquerda não consegue perceber determinadas limitações que ela continua a agredir com sua intransigência infantil e histriônica. A imperfeição humana não admite uma sociedade de infinita paz e harmonia, onde todos correrão felizes e contentes ao redor de um maravilhoso arco-íris colorido, cercados por pôneis graciosos e saltitantes, que pululam de felicidade diante do palácio da fraternidade e da alegria. O desejo da esquerda é celebrar um colorido triunfo contra o “fascismo”, comemorar sua vitória sobre a direita militarista, autoritária, sexista e homofóbica, que comete a sacrílega ousadia de questionar as “verdades” absolutas da esquerda.

Por mais infantil que um cenário desses pareça, ele mostra efetivamente o que é a esquerda e o mundo irrealista e utópico vislumbrado pelos militantes. Com um sentimentalismo hiperbólico e arrevesado que ignora fatos históricos, as leis econômicas mais simples, a realidade da condição humana e o conhecimento salutar, a esquerda é detentora de um discurso simplório e aviltante — completamente baseado em emoções —, que atende aos seus propósitos políticos, mas é incapaz de atender as verdadeiras demandas da população.

A histeria no ambiente político

A esquerda criou na sociedade o embrião do homem coletivo — o estereótipo do sujeito vaidoso, narcisista, degenerado, intransigente, indolente, insolente, galhofeiro e preguiçoso, que não ajuda a mãe a lavar a louça, mas está sempre cheio de ideias sobre como salvar o mundo, seguro de que suas boas intenções farão toda a diferença para a humanidade. Perdido em sua ingenuidade e em suas descomunais limitações intelectuais, ele também acha que ninguém nunca tentou isso antes. Ele é único, audacioso e formidável. A humanidade não pode ser privada de suas ousadas contribuições, que poderão ser implementadas logo depois dele ser ouvido no diretório do grêmio estudantil.

Infelizmente, sua histeria está terrivelmente presente no ambiente político, com todas as consequências indesejáveis que são inerentes às suas exigências egoístas, beligerantes e egocêntricas. O homem coletivo está sempre chorando, berrando e reclamando, exigindo do mundo que acredite que sua doce, sensível e maravilhosa utopia pode funcionar.

Um elemento que mostra perfeitamente quão irrealista e infantil é a esquerda vem do fato dela não reconhecer a existência do mal. Para a esquerda, tudo é bom, e deveria não apenas ser permitido, como devidamente legalizado.
Aborto, maconha, narcóticos e prostituição, para citar apenas algumas pautas da sua filosofia de degeneração compulsória — de acordo com a doutrina esquerdista — deveriam ser legalizados; afinal, são coisas “normais” e “corriqueiras” que todos deveríamos aceitar. Quem protesta contra essas pautas é considerado reacionário, por defender uma sociedade mais puritana e moralista; o que, de acordo com a esquerda, configura um reacionarismo “arcaico” e “retrógrado”. Por fim, quem se atreve a discordar da esquerda com convicção e veemência, simplesmente porque tem sanidade suficiente para rejeitar suas imposições bestiais, degeneradas e infantis, acaba sendo rotulado como um fascista autoritário. Afinal, como a ideologia totalitária que é, o esquerdismo não tolera divergências ou discordâncias.

A esquerda também é a favor do desarmamento da população, porque não reconhecer a existência do mal. Em sua ingenuidade infantil com relação a natureza humana, não acredita na existência da malevolência; portanto julga que todos os criminosos roubam por necessidade, porque estão com fome. Para saciarem suas necessidades básicas, portanto, eles se sentem compungidos a roubar. Afinal, tratam-se de pobres “vítimas da sociedade” e do “cruel” sistema capitalista. Evidentemente, além desse raciocínio estar ostensivamente equivocado, ele não reflete as urgências mais gritantes da realidade.

Nessa questão — como em todas as outras — a esquerda não raciocina direito por se contentar com explicações sociológicas superficiais. Quem rouba porque tem fome não anda armado, não ameaça pessoas e não faz vítimas fatais. Um pobre que entra em uma mercearia para roubar uma maçã porque está a muitos dias sem comer, embora esteja cometendo uma infração, não está fazendo nada realmente grave. Um indivíduo assim age motivado primariamente pelo desespero. Embora roubar seja errado, não é contra um cenário desses que o cidadão brasileiro reivindica o seu direito legítimo de andar armado.

Uma coisa muito diferente de roubar uma maçã para saciar a fome é cometer latrocínio. Ou seja, matar um indivíduo para roubar o seu carro, levá-lo até uma área de desmanche, e desmontar o veículo para vender as peças. Um crime dessa natureza, invariavelmente hediondo — que infelizmente faz dezenas de vítimas diariamente por todas as regiões do Brasil —, pode ser evitado se o cidadão possui recursos de defesa à sua disposição, como uma arma de fogo; direito que infelizmente foi suprimido pelo criminoso estado brasileiro, como consequência do estatuto do desarmamento, que foi implementado à revelia da população. Um indivíduo que mata pessoas inocentes não faz isso porque está passando fome, mas porque é um criminoso.

A esquerda, no entanto, como consequência da sua visão de mundo simplória e reducionista, não diferencia infrações leves, cometidas por necessidade, de infrações realmente graves, executadas por vil e hedionda malignidade. Para reforçar esse exemplo, Roberto Aparecido Alves Cardoso, vulgarmente conhecido como Champinha — o assassino que matou o casal de adolescentes Liana Friedenbach e Felipe Caffé em novembro de 2003 —, não cometeu esse ato de insana brutalidade porque estava com fome, ou porque estava passando necessidades. Ele fez isso por ser um psicopata maligno, depravado e cruel. Não obstante, isso não impediu Maria do Rosário de defender Champinha ardorosamente quando ele foi preso e o crime tornou-se público.

Justamente por ser uma utopia de crianças impelidas por um altruísmo irrealista, patológico e intransigente, a esquerda acredita que o mal não existe. Por fomentar essa crença perniciosa de maneira irrefreável e doentia, o sistema criminal brasileiro acabou sendo contaminado com uma nefasta e deletéria ideologização do garantismo penal, que descarrilhou para uma sórdida e repulsiva bandidolatria. Por se recusar peremptoriamente a compreender a realidade, a esquerda cria inúmeras dificuldades para a sociedade. Ela cria um problema, que resulta em dezenas de outros problemas.

Essa parece ser a maior especialidade da esquerda, parir problemas, e depois culpar os outros por isso. Tudo porque a ideologia esquerdista não acredita que determinados indivíduos tenham, de fato, predisposição para a maldade. Em sua fantasia ideológica ingênua e irracional — completamente incapaz de compreender a natureza humana —, militantes de esquerda realmente acreditam que todos os criminosos não apenas podem ser recuperados, como devem ser ressocializados.

Assim como um assaltante normalmente não comete um crime porque está faminto, um estuprador também não estupra alguém porque está passando necessidades; da mesma maneira, um pedófilo também não viola crianças por essa razão. A esquerda é tão infantil que atribui todos os crimes às necessidades humanas mais prementes. De acordo com a sua distorcida e simplória ideologia, todas as coisas ruins que existem são consequências indesejáveis do sórdido e desigual sistema capitalista.

E não vou nem tocar aqui no fato de que o Brasil nunca foi um país capitalista.

A verdade, dita de forma simples e objetiva, é que a grande maioria dos crimes são cometidos em decorrência da malevolência, da crueldade, da ignomínia e da sordidez dos seus contraventores.

Atribuir todos os crimes às ingerências do sistema supostamente capitalista em que vivemos — afirmando que criminosos são simplesmente “vítimas da sociedade” — acaba gerando uma outra consequência igualmente nefasta, que é não reconhecer a importante questão da responsabilidade individual, um elemento que a esquerda persiste em rejeitar categoricamente, em sua insistência coletivista de centralizar no estado todas as questões pertinentes à condição humana. A verdade, no entanto, é que somos todos responsáveis por aquilo que fazemos, e também por aquilo que não fazemos. Assim como também todos os criminosos que existem nesse país. Todos os indivíduos que cometem crimes devem ser responsabilizados e punidos, cada qual de acordo com a gravidade do crime cometido.

A infantilidade da esquerda

A esquerda — com sua ideologia infantil, saturada de abstrações pseudofilosóficas e rocambolescas — oferece às pessoas uma visão de mundo demasiadamente simplória, carente de coesão e substância, que não raro tenta imputar aos carrascos o papel de vítimas, e confere aos inocentes a sentença dos culpados, justamente por priorizar no vasto cenário das deliberações humanas da vida em sociedade uma inversão de valores que vem a ser uma consequência natural da sua lógica distorcida, enviesada e incongruente, totalmente incompatível com a realidade.

A esquerda apresenta uma visão de mundo ingênua e irrealista, de adultos que por alguma razão conservam a mentalidade de crianças. Por essa razão, se refugiam em uma doutrina mundana, que tende a apresentar o mundo como um lugar fantástico e colorido. Mundo este, que só precisa de alguns “ajustes” para se converter na tão celebrada utopia apregoada por sua ideologia.

Infelizmente, não importa quão errada esteja, a esquerda — justamente por seu caráter utópico — não cessa de arregimentar para as suas fileiras de justiceiros sociais o intempestivo e inquieto, porém oco e seletivo homem coletivo, que está sempre disposto a brigar, gritar, xingar e até mesmo agredir pessoas que ele nem sequer conhece, apenas porque são adultos maduros que não acreditam nas benévolas promessas de políticos aparentemente puros e sacrossantos, na utopia dos radiantes pôneis coloridos e cintilantes, na pujante festança permanente de benefícios públicos, gratuitos e de qualidade para todos, ou que pagando mais impostos para burocratas sinceros e graciosos encontraremos o caminho para a felicidade plena.

O homem coletivo — permanentemente histérico e beligerante —, está sempre disposto a deixar seus políticos de estimação pensarem por ele. Completamente esvaziado de todo e qualquer pensamento crítico, ele renunciou à razão. Entregando-se de forma total à sua crença simplória e fantasiosa, sem limites ou restrições; no decorrer desse processo, ele não hesita em despejar toda a sua irrefreável fúria contra todos aqueles que se recusam a ser como ele.

A esquerda criou o homem coletivo, e o homem coletivo está determinado a reparar o mundo. No entanto, ele julga saber o que é bom para toda a humanidade. Infelizmente, trata-se de um sujeito tão displicente e desconectado da realidade que ele é incapaz de se enxergar pelo que realmente é.

Finalizando

O homem coletivo é uma criança permanente, perdida dentro de um adulto que se recusa a crescer. Sem ter uma noção mínima de como o sistema realmente funciona, ele simplifica a busca por um mundo mais justo com a leitura de Márcia Tiburi.

Se ele tivesse o mínimo de sensatez e racionalidade, iria nos agradecer por sermos adultos pacientes e maduros que trabalham e produzem ativamente, para abastecer com bens e serviços a sociedade em que vivemos. Enquanto as crianças brincam de revolução, os adultos tem deveres e responsabilidades a cumprir. No entanto, esperar qualquer tipo de compreensão ou entendimento da realidade por parte do militante seria esperar algo muito além do que ele pode oferecer. A verdade é que se todos parássemos para lutar pela utopia, o homem coletivo não teria mais o que comer.

Por: Wagner Hertzog

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