Afinal, quem foi Carlos Alberto Brilhante Ustra?

Para alguns, 1964 foi um golpe. É assim que aprendemos em jornais, revistas e livros. É assim que é ensinado nas escolas. E assim, com uma simples manobra linguística de fixar no imaginário popular a expressão Golpe Militar, lança-se no quase esquecimento, o fato de que um número elevado de pessoas que, embora não neguem o caráter de exceção, o veem como um Contra golpe.

Para os que defendem que os militares aplicaram um golpe, uma simples indagação pode criar alguns problemas. Por quê? Por que os militares resolveram “golpear” a democracia brasileira? Quais os objetivos desse golpe? O que poderia ser respostas simples e objetivas pode redundar num amontoado de asneiras.

Por outro lado, os que defendem que a ação dos militares foi na verdade um Contra golpe conseguem apresentar respostas mais objetivas às questões: Por quê? Quais os objetivos? Sem rodeios, pode-se responder que o Brasil estava sob o risco de tornar-se uma ditadura comunista, tal qual aconteceu em Cuba.

A ideia do Contra golpe ainda traz o bônus de assimilar melhor a compreensão de que os militares, aqui ou alhures, não são preparados para governar, mas, para agir em situações de perigo à soberania do país. E qual militar não vai enxergar 1964 e os anos seguintes como um período de guerra? E qual guerra não deixa suas horrendas sequelas? E qual soldado vai negar-se a lutar pelo seu país? Mesmo em exércitos vencidos, não sou muitos os desertores.

Diante do cenário desenhado acima, lançamos a pergunta: Afinal, quem foi Brilhante Ustra? Para que esta questão fosse minuciosamente discutida, seria necessário um estudo detalhado de centenas de documentos, depoimentos de parentes, amigos e inimigos. Diante do desafio, não é necessário anteciparmos que esse não é nosso objetivo.

Para um bom número de intelectuais e políticos, perguntar quem foi Brilhante Ustra não chega nem mesmo a ser encarado como uma pergunta, uma vez que a resposta é tão patente, certa, natural e justa: Brilhante Ustra foi um ex-torturador. Chefe do tenebroso DOI-CODI.

Todavia, estigmatizar pessoas por suas ações em um período por si só já bastante estigmatizado pode ser reconfortante, mas, não traz todas as respostas. Obviamente que nem eu, nem ninguém que não viveu o período dos governos militares, está em condições de apontar culpados e inocentes, bandidos e mocinhos. E mesmo aqueles que viveram ativamente aqueles anos, não têm condições de inocentar ou culpar.

Mais uma vez, não estou aqui na condição de inocentar Ustra ou condená-lo. Não obstante, creio que nenhum militar do período em questão, pode ser condenado individualmente por suas ações naquele período e é justamente por seguir esse entendimento que o Estado brasileiro arca com vultosas indenizações aos familiares de desaparecidos políticos do período e àqueles que foram perseguidos.

Ao efetuar o pagamento dessas indenizações, reconhece-se que se tratava de um Estado de exceção, ou seja, um governo que SUSPENDEU ou SUPRIMIU todo e quaisquer direitos e garantias dos cidadãos. Paradoxalmente, ao optar por mover ações jurídicas contra este ou aquele militar, essas ações trazem implicitamente à suposição de que tal militar infringiu direitos e garantias e SE tais existiam e foram INFRINGIDAS, LOGO, NÃO HAVIA REGIME DE EXCEÇÃO, MAS SIM, UM REGIME DEMOCRÁTICO DE DIREITO.

Assim, devemos perguntar: Afinal, quem foi Brilhante Ustra? Um militar que seguiu consciente, ou inconscientemente, ordens de um gigantesco paquiderme cego? Ou um sequestrador e torturador que voluntariamente escolheu ser torturador e sequestrador?

Por outro lado, é digno de nota que o Coronel Brilhante Ustra tenha dedicado parte substancial de sua vida em negar a pecha de torturador. Se isso não prova sua inocência, ao menos lhe confere certa dignidade em não aceitar a condição de “inumano” ou, a de “animal frio e perverso” diante de sua presa.

Aliás, e finalizo aqui, a mesma frieza e perversidade que se atribui a torturadores, como um dado de sua monstruosidade, é a mesma frieza e perversidade que se espera ter um guerrilheiro diante do seu “inimigo“. Assim, torturador e guerrilheiro se equiparam. São sinônimos de imoralidade e ojeriza.

Todavia, para esses últimos, reservam-se os louros de uma sociedade pela qual não lutaram e para aqueles, a fria pena da lei. Ou alguém da turma que pegou em armas contra os militares, está tendo que expurgar seus delitos, negando diuturna e peremptoriamente, a acusação crime de que outrora fora guerrilheiro?

 

Por Jakson Miranda

 

22 thoughts on “Afinal, quem foi Carlos Alberto Brilhante Ustra?

  1. Bom concordo com cada palavra dita, na verdade pra nós seres humanos é conveniente ficamos do lado do perdedor e isso nossa imprensa hipócrita sabe muito bem, mas nem sempre o mais fraco é o certo. Eu sou testemunha viva que nos tempos que o Brasil foi governado pelos militares a minha liberdade era plena, já hoje não posso usar meu celular nas ruas.

  2. Nasci a luz do regime militar, cresci, estudei em escola pública e posso afirmar, a gente aprendia ou repetia o ano, respeitavamos professores, diretores, nossos país acima de tudo, tinhamos aulas de educação moral e cívica, aprendiamos a respeitar as instituições, saber o hino nacional ao pé da letra e canta-lo todos os dias antes de entrar na sala de aula, meu pai tinha emprego, nunca faltou nada na nossa mesa, se ficávamos doentes, tinha o posto de saúde, o inps, a santa casa de misericórdia, brincavamos na rua até a hora que nossos pais permitiam, passeavamos na praça, no parque de diversões, quando fiz 18 anos servi o exército com um baita orgulho, comprei minha primeira arma, registrada, consegui o porte sem maiores problemas por sempre ter sido um cidadão cumpridor dos meus deveres e sempre fui muito feliz.
    Essa é minha horrenda história de vida sob o regime militar brasileiro.

  3. eu me recordo do tempo em que no brasil nao havia tanta corrupçao,imoralidade,senvergonhice e baderna que e o que essa turma do comunismo apoia e compctua,era uma epoca em que as pessoas de bem da nossa naçao ,respeitavam os nossos governantes,porque eles tinhao moral e nao eram envolvidos em esquemas corruptos e detratores,que assolam os dias de hoje, politicos cara de pau e sem moral nem uma querendo aprovar leis infames que destroi as nossas crianças e as nossas autoridades que sao constituidas primeiramente por Deus e pelo judiciario, estamos vivendo uma epoca em que o certo e errado, e o errado e certo,sao inversoes de valores, defendidos por esses sem vergonhas, que dizem ser representantes do povo brasileiro, quando na verdade sao representantes desses movimentos comunistas que invaden e destroi os patrimonios publicos e pessoais de nossa naçao,ta na hora de nois brasileiros escolher representantes serios de coragen carater e autoridade,para governar dentro dos parametros das verdadeiras leis,do legislativo executivo e judiciario da nossa nassao, verde amarelo azul e branco.

  4. Concordo 100% com o que diz o José Roberto, pois vivi no período militar e me lembro de como respeitávamos nosso professores, diretores e pais.
    Podíamos andar pelas ruas de madrugada e ninguém nos incomodava.
    Nunca ouvo meu pai dizer que apanhou do regime militar, sabe porque?simplesmente ele era trabalhador e não vagabundo.

    Viva o militarismo!!!

  5. Senhores não vivi o regime, estudei sempre em escola pública e ando tranquilamente na rua, sem ser roubado, sei o hino nacional e da bandeira, respeito os professores e aos cidadãos, pois isso não me veio da escola e sim da educação me passada pelos meus pais, não tive o privilégio de servi, pois estava acidentado, mais a questão não é o regime, mais a forma de como se é feito e tratado neste regime, afinal se querem segurança vão morar em Cuba, no Oriente Médio, China ou EUA, lá existe tanto roubo como aqui. Onde há violência por parte de qualquer esfera pública, isso é errado, assim como matar e roubar, o que precisamos é ter a compreensão que qualquer regime autoritário é errado, devemos fazer leis mais severas a todos que cometam injustiças, sejam eles Juízes, Procuradores, Senadores ou ate mesmo pessoas comum, por isso existem leis, mais torturar e matar em prol de informações isso é errado, assim como é errado lutar contra essa tirania, sequestrando e matando. Nada mais sábio do que um bom diálogo e uma boa troca de ideias.

  6. Notem que no Brasil não há educação, mas sim doutrinação. Por qual motivo nossas escolas ensinam que apenas os militares são os vilões? Por que será que nossas universidades estão tomadas por profissionais esquerdistas? Por que não temos mais direita no Brasil? (Pelo menos não no campo político).
    Estamos caminhando em um regime velado, escondido; em um estado aparelhado por aqueles que passaram anos no governo e fingem ser oposição para nos enganar.
    O governo militar que existiu no Brasil cometeu erros como qualquer governo, mas nem de longe deixou a corrupção tomar conta de tudo. Tentamos evoluir, falamos por anos em leis mais severas; mas enquanto nossos governantes forem os mesmos, essase leis não entrarão em vigor. Talvez seja hora dos militares colocarem um ponto final nisso tudo; para que possamos assim ter uma chance contra a corrupção, e um recomeço.

  7. Prezados,

    O coronel Brilhante reconheceu excessos, isto é,na época do regime pessoas foram mortas,torturadas e exiladas. Tudo isso aconteceu para combater o Comunismo que forçava sem limites a sua perpetuação no Brasil.De um lado guerrilheiros – Comunistas e de outro torturadores- Militares.Sinceramente não vejo o Regime Militar como Salvadores da Pátria. É claro o regime impõe ordem na sociedade,mas não podemos achar que ele resolveu todos os problemas da nação brasileira.O regime excedeu- se bastante ainda mais depois do AI-5 e pra mim nem Ustra e nem qualquer outro militar tem o direito de torturar,matar e perseguir.Tudo isso foge da Democracia.

  8. Sugiro a leitura do livro do Coronel reformado do Exército brasileiro, Carlos Alberto Brilhante Ustra “A Verdade Sufocada – A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça.”. Agradeço a Bolsonaro por indica-lo. Ali vemos quem é quem e quem está mentindo. Ali está a verdadeira verdade.

    1. Infelizmente este livro não chega às escolas e bibliotecas. É um lado da história proibido de ser ministrado pelo status quo.

  9. Assim como vários comentaram acima, eu também vivi no período militar, e além disso, me tornei militar no fim do governo do Figueiredo, e assim conheci alguns militares que atuaram no período, sabe se lá como o quê, mas que falavam o seguinte: íamos ser invadidos! Talvez os comunistas nunca admitam isso, mas o Brasil estava sendo “preparado” para receber invasores da Rússia, Cuba e outros da “cortina de Ferro”, e por isso os militares receberam ordens de serem efetivos na procura de células de insurgentes, e agiram da maneira que conhecemos hoje.
    Atualmente, o vitimismo da esquerda covarde se aproveita disto para elencar distorções e excessos, que com certeza ocorreram, mas que graças a elas ainda somos uma nação livre.

  10. Afirmo que temos que conhecer a historia pelos fatos e não pelo relato, porque, o relato fica prejudicado por quem ganhou ou perdeu com o acontecido. Os comunistas, que se acharam prejudicados e os militares que afirmam ter feito a coisa certa.
    Conheça os fatos e ai a sua opinião vai servir pra você se reconhecer em qual ideologia você se enquadra. Se não passou pela experiencia de vivenciar uma guerra, não afirme o que acha, pois você vai estar com certeza passando por constrangimentos.

  11. Já que os guerrilheiros são todos paladinos da verdade e da democracia, pergunto o seguinte, porque diante da Comissão da Verdade Mentirosa da Dilma , quando o Cel. Ustra arguiu ao Genoíno, que o mesmo dissesse diante de todos se ele levou um único tapa do então Tenente Ustra , porque o mesmo ficou com a cabeça abaixada e não respondeu. Pergunto aos defensores dos guerrilheiros, se eles sabem ou tomaram conhecimento da tortura que o paladino da justiça Genoíno inflingiu, levando até a morte do garoto sertanejo que era apenas admirador do Exército, acusando o mesmo de ser colaborador dos militares. Bela democracia guerrilheira.

  12. Tenho muitas lembranças boas, no bairro que morava os comerciastes abriam as seis horas da manhã, mas antes das cinco padeiro o carro de refrigerante em fim muito deixavam em frente dos seus comércios as mercadorias e ninguém machia, no colégio que eu estudava poderia escolher aula de técnicas comerciais, industriais, agrícola ou laboratório, cantávamos o Hino Nacional e repeitava os professores, dizem que hoje é muito melhor vivemos a liberdade, não posso usar um celular, um tênis bonito, tenho que por grade nas portas janelas andamos sempre sobre saltados vivemos em panico constantemente isso dizem alguns que isso é liberdade.

  13. Sugiro outro livro, “1964 O Elo Perdido”. Escrito por pesquisadores que examinaram a fundo os arquivos da KGB, relata como a StB, polícia secreta checa ligada à da URSS, espalhou agentes por todo o Brasil, e recrutou muitos brasileiros para auxilia-los na missão de contra-informar os meios de comunicação, para dessa forma jogar o povo contra os EUA e assim aplainar o caminho da revolução comunista. O livro contem farta documentação sobre todos os fatos relatados, com ênfase no papel das Ligas Camponesas como força armada pronta a atacar, e meios usados para divulgar a falsa participação dos EUA em 1964.
    Quanto ao Cel Ustra, tudo o que se sabe a seu respeito provem de testemunhos dos que se dizem por ele torturados, cujos depoimentos lhes valem grossas indenizações, daí que sua credibilidade é no mínimo viciosa.

  14. Fui adolescente sob o Regime Militar, e garanto que éramos mais felizes por tudo. A televisão não tinha a abertura que tem hoje, mas podíamos ficar brincando na rua sem o medo que se instalou no País. Não tenho opinião formada sobre o coronel, mas queria a pena de morte.

  15. Momentos extremos pedem medidas extremas.. iam combater o comunismo e o terrorismo com o que ?? Com Balé ?? Acredito que ninguém teve prazer nisso, mas se temos um minimo de democracia hoje, é graças a isso ! Toda história tem dois lados ! Esses comunas só contam o deles sem a menor vergonha na cara… mas prefiro pagar pra ver !!!

  16. Leão morto fica fácil ser o caçador: está diante dele e confronta-lo pode te fazer dar volta ao mundo em segundos de tanto medo… todos julgaram mas nem um ficou frente a frente com inimigo; eu não vivi uma guerra, eu não lutei com um inimigo, eu não fui Brilhante Ustra, eu não conheci este homem que vejo hoje muitos julgando como grandiosos juízes que se tivessem tido o desprazer de seguir ordens naquele tempo talvez tivessem morrido diante de seu medo e covardia. Então se você não viu, não filmou, não estava lá e é um desses que caga nas causas quando um menino solta uma bombinha na rua, é contra a violência, acha que quando um bandido vem te matar você vai enfrentá-lo com palavras afáveis tá na hora de rever seus conceitos. Ustra obrigado, guerrilheiros obrigado, exército obrigado; seja lá o método que usaram se todos nós estamos aqui é graças ao sofrimento e morte de nossos bravos patriotas…aos que sofreram naquele tempo meu respeito e admiração pois vocês também com seu sofrimento escrevam nossa história… Brasil acima de tudo, deus acima de todos… respeitoso abraço.

  17. quem nao viveu as decadas de 70 e 80 nao sabe como era bom….vivem num inferno hoje pensando que é o paraiso….. 33 anos de governos de esquerda transformaram um brilhante pais em uma sombra do seu passado…..triste !!!

  18. Esse medo do comunismo é velho, ja vem de longa data. Nada justifica a tortura, e a liberdade de expressão que foi suprimida agora volta a tona. Penso que no minimo estamos retrocedendo no campo das ideias. Não existe mais isto gente, a ameaça do comunismo hoje não é real. A bandidagem sim tem aumentado muito, as desigualdades sociais como consequência, mas atribuir isto ao comunismo é viajar. Sempre por trás estão os Estados Unidos espalhando este terror e com claras intenções de dominar outros países.
    Não caiam nesse erro de culpar que quer que seja, a culpa é de toda uma sociedade. Todos temos uma parcela de culpa por tudo que acontece. Um pequeno exemplo, posso citar um pai ou mãe que não tem condições nenhuma de criar um filho, acaba botando no mundo uma duzia de filhos. É apenas a ponta do iceberg dos problemas sociais que nossa sociedade mesma constrói.

  19. A violencia esta certamente mais à vista, dadas as ampliações largas dos meios de comunicação que se restringiam ao radio naqueles sombrios dias, além do medo que se tinha de criticar… Hoje em dia se tem liberdade para protestar, criticar, exigir direitos… Mas nem de longe isso representa credito dos militares… Sua unica função foi impor medo e violencia a quem queria liberdade e democracia… Os que estao em situação confortavel hoje não aceitam isso… Por um motivo simples: Hoje são monitorados por uma sociedade mais critica que nos anos sessenta… Porem nem isso nos dá conforto ou qualidade de vida… Ustra foi um monstro… Repreensivel e longe de ser “heroi”, não representa nada pra sociedade a não ser a barbarie… Em tempo: Sou cetro esquerda, conheço muito bem o hino nacional brasileiro, cumpro com meus deveres e nem eu muito menos minha familia, imigrantes da Ilha da Madeira, NUNCA tiraram uma pataca furada de qualquer tipo de beneficio dos cofres publicos! Hoje ouvi falar que a avó da primeira dama furou a fila do INSS… Isso é uma vergonha, pra quem é casada com um sujeito que ganha mais de cem mil reais mensais!!!

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