Centrais sindicais deveriam ir à bancarrota

Alguém já soube de três ou ao menos duas centrais sindicais irem à falência? Tudo bem, uma que seja? É um tanto antagônico que com a crise que atravessamos, centenas de fábricas e lojas fecharam as portas. 12 milhões de pessoas perderam seus empregos, mas as centrais sindicais continuam aí, firmes e fortes.

Como exemplo de empreendedorismo, cujas estratégias deveriam ser copiadas por aqueles que não conseguiram alavancar o negocia, anualmente, arrecadam alguns bilhões de reais.

O  fato, vergonhoso, ressalte-se, é que as centrais sindicais se tornaram um nebuloso balcão de negócios e digo nebuloso porque não estamos falando daquele tipo de negócio que gera riqueza, empregos e que também traz consigo risco de perdas e falência.

Estamos falando, isto sim, de uma monstruosa arrecadação de verbas, descontada do salário do pobre trabalhador, seja ele sindicalizado, seja ele um ferrenho opositor a esse tipo de organização.

Logicamente, ressalte-se, que toda a verba arrecadada é gerida de forma transparente, e ninguém deve se preocupar quanto ao bom uso dos recursos, nem governo e principalmente, trabalhadores. É importante que esse parágrafo não seja tomado ao pé da letra, mas sim, lido com o devido tom irônico.

Ao menos os sindicatos e centrais sindicais, se preocupam com os trabalhadores? É bem verdade que as referidas organizações estão se opondo ao projeto de lei da terceirização. E do mesmo modo, têm se posicionado contra a Reforma da Previdência.

O interesse maior desses posicionamentos é pela defesa dos trabalhadores? Vejamos.

Segundo matéria da Folha de São Paulo, as centrais sindicais abriram negociação com o governo Temer. Se o governo voltar a permitir a cobrança da contribuição assistencial, as organizações sindicais apoiarão as reformas propostas pelo governo.

Leiam a matéria

Centrais sindicais ofereceram ao presidente Michel Temer a abertura de negociações para apoiar as reformas da Previdência e trabalhista em troca de ajuda do governo para retomar a cobrança da contribuição assistencial —taxa paga por trabalhadores para financiar a atividade dos sindicatos.

Dirigentes da Força Sindical, comandada pelo deputado Paulinho da Força (SD-SP), se reuniram na terça (21) com Temer e com o ministro Ronaldo Nogueira (Trabalho) para apresentar a proposta.

Os sindicalistas pediram que o presidente edite uma medida provisória ou apoie a aprovação no Congresso de um projeto que regulamente a cobrança da contribuição.

Em troca, as centrais aceitariam reduzir suas resistências às propostas de Temer para alterar regras previdenciárias e trabalhistas.

A contribuição assistencial é descontada pelos sindicatos dos trabalhadores da categoria que representam, mesmo dos não filiados. Em fevereiro, o STF proibiu a cobrança da taxa de trabalhadores não sindicalizados.

O valor da contribuição é decidido por cada entidade em assembleias e convenções coletivas e usado para financiar as atividades sindicais. Além dessa taxa, as entidades cobram a contribuição sindical, que é obrigatória e equivale a um dia de trabalho.

Centrais, sindicatos, federações e confederações arrecadaram R$ 3,5 bilhões com a contribuição sindical em 2016. Estimam que a taxa assistencial, cobrada à parte, representa até 80% do orçamento de algumas entidades.

Encerramos

Onde está a preocupação das centrais sindicais com os trabalhadores? Se o fator preponderante é mais e mais verbas como única contraproposta que os ditos representantes dos trabalhadores apresentam ao governo, então, fica o apelo para que cada vez mais trabalhadores fujam do sindicalismo.

Diante do quadro, é bastante oportuno lembrarmos as palavras do jornalista Diogo Casagrande em seu belo artigo Porque os Estados Unidos. Nele, Casagrande faz os seguintes questionamentos:

Alguém por favor pode me explicar por que tanta gente quer ir morar legal ou ilegalmente nos EUA se lá não tem CLT e nem Justiça do Trabalho? Se lá não tem 13° e tampouco licença maternidade remunerada? Como suportar um país onde decisões sobre férias, ausências por doença ou feriados nacionais são negociadas caso a caso entre empregador e empregado?

Por aí já conseguimos entender uma das causas da abissal diferença entre um trabalhador tupiniquim e um americano.

Por essas e outras que não há atitude mais sensata do que torcermos para que as centrais sindicais entrem na bancarrota. Pelo bem do Brasil. Pelo bem dos trabalhadores.

E você, acha que as centrais sindicais representam os trabalhadores? Deixe seu voto.

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Por Jakson Miranda

2 thoughts on “Centrais sindicais deveriam ir à bancarrota

  1. No auge do bolivarianismo no Brasil, a CUT orientou as centrais a ela coligadas (como a FUP) de excluir os não-sindicalizados de benefícios oriundos de decisões judiciais.

    Embora a Justiça do Trabalho já tenha considerado um abuso e a correção do mesmo acarreta atraso na conclusão dos processos, penalizando trabalhadores e Justiça, a FUP não arreda pé de infringir a Lei visando uma campanha de filiações forcadas a base do medo para aumentar sua arrecadação.

  2. Mais de 15.000 sindicatos, um absurdo que só EXISTE no Brasil. Se tivéssemos ‘justiça’ trabalhista, o cidadão teria a opção de NÃO pagar + esse imposto inútil (para ele) e fonte de riqueza para os pelegos. Perguntar não ofende: o cidadão poderia entrar com ação coletiva para NÃO PAGAR?

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