Ouvindo um programa de rádio aqui em Corumbá-MS, escutei uma publicidade da Prefeitura na qual se usava a expressão “Cidade Educadora”. Sendo a administração municipal petista, não fiquei surpreso com a expressão nem demorei para saber de onde ela se originou.

Mas fiquei pensativo. Vai que essa moda pega e os municípios passem a querer imitar a União com esse mote de governo. O Estado vai invadir áreas que funcionam bem. A educação dos filhos pelos próprios pais é uma delas.

A ideia de usar o Estado como vetor educacional não é nova nem mesmo original.

Platão já pensava numa república ideal em que a criança era tirada da família e entregue ao poder público bem antes dos 10 anos. Isso para ser educada – dar-se a ela direção, sentido e um “valor numérico”, como um vetor –, a fim de servir à Cidade.

Em ocasião anterior, aqui mesmo no portal, mostrei um pouco de como a Reforma Luterana se valeu do Estado para lançar também seu vetor na educação.

E pelo mesmo caminho anda o discípulo mais ilustre de Platão. Aristóteles tece considerações sobre o papel da Pólis na educação dos jovens e da coletividade.

Aristóteles trata da interação entre Estado que educa e sociedade que recebe a educação. Ou seja, ele, há muito tempo, tocou sem dúvida alguma no slogan que se chama hoje no Brasil de “Pátria Educadora” e, agora, pelo menos aqui onde moro, de “Cidade Educadora”.

Transcrevo a seguir um pequeno trecho do livro “Política”, no qual Aristóteles aponta a importância de a pátria educadora levar em consideração a sociedade sobre a qual ela atua e cuja direção, sentido e valor pretende formar. Segue a passagem (os grifos são meus):

“Ninguém contestará, pois, que a educação dos jovens deve ser um dos principais objetos de cuidado por parte do legislador; porque todos os Estados que a desprezaram prejudicaram-se grandemente por isso. Com efeito, o sistema político deve ser adaptado a todo os governos, e costumes adequados a cada governo o conservam e mesmo o mantém sobre uma base sólida. Assim, os costumes democráticos ou aristocráticos são o mais seguro fundamento da democracia ou da aristocracia, e os costumes mais puros dão sempre o melhor governo.”

Aristóteles dá ênfase à tênue relação entre Estado e povo quando o assunto é pátria educadora. O povo faz o Estado e este exerce influência sobre o povo. Se o objetivo da Pátria Educadora é dar direção, sentido e valor às pessoas, divorciada da base enraizada dos costumes, a Pátria Educadora fracassará.

E esse parece ser o caso da Pátria Educadora do Brasil de hoje, cujo ministro da Educação é reconhecidamente marxista e marxismo – em suas várias facetas – é realização de reforma moral e social, cujo vetor vai na direção da liberação de drogas, do sentido do vale-tudo (“meu corpo, minhas regras”) e do valor contrário à religião.

A sociedade brasileira, de formação cristã consolidada, está sendo refeita pela Pátria Educadora e talvez pela Cidade Educadora. Só que de forma unilateral, pois marxismo é incompatível, por “direito de nascimento”, com costumes e modo de vida cristãos.

O “lençol freático” social é mais profundo que qualquer plano ou intenção estatal, diz Aristóteles. Em outras palavras, os costumes tem que ser levados em conta; não podem ser picados, inseridos em liquidificador, moídos, triturados, transformados em vitamina, e entregues à sociedade como moralidade ou forma de vida estranhas à comunidade. Penso que qualquer pátria que se proponha educadora deve observar esses parâmetros.

Enfim, se Pátria Educadora e Cidade Educadora não observarem e respeitarem o substrato cristão preexistente, vão acabar criando grande aberração sociológica no Brasil: um Estado divorciado de sua gente, gente que o forma, o sustenta e o legitima.  Cidade Educadora – espero que essa moda não pegue.

 

Por Pr. Marcos Paulo

 

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