O fechamento das igrejas e os cristãos na desobediência civil

O fechamento das igrejas e os cristãos na desobediência civil

 STF julga pelo fechamento de igrejas no combate à covid-19

Por 9 votos a 2, o STF votou pelo fechamento das igrejas no contexto da pandemia. Ou seja, os templos deverão atender aos decretos dos governadores e prefeitos.

Conforme publicamos no post A decisão do STF sobre as igrejas e o desprezo de Gilmar Mendes de ontem (7/4),

Há sério risco de que a decisão saída do STF sobre as igrejas seja uma anomalia inconstitucional. Em suma, não basta argumentar que possuímos liberdade de culto. Ademais, se trata de uma liberdade que para ser validada deve dá ao fiel o direito de frequentar sua igreja. Em outras palavras, não podemos confundir liberdade de culto com assistir cultos ou missas pela internet. Pois, a prática religiosa não é um filme ou uma série. Muito menos algo superficial.

De fato foi o que ocorreu. Ao julgar o caso, os ministros do STF defenderam que não se trata de liberdade de culto, mas sim, de defesa da vida e da saúde. Enfim, aqueles que nos suprem as liberdades, jamais dirão de forma objetiva que o farão. Sim, enquanto perdurar a pandemia, a prática religiosa estará no mesmo nível de um filme ou série.

Por outro lado, devemos alertar que a população já chegou a um nível de impaciência acima do limite aceitável. Todavia, não entraremos em minudências sobre a forma como o vírus está sendo combatido no Brasil e em algumas regiões do mundo. Em síntese, os números falam por si.

Nesse sentido, ao julgar pela admissão do fechamento das igrejas, o STF optou pela irracional e ineficaz maneira de enfrentar a pandemia. Ou seja, mesmo seguindo todos os propagados protocolos de distanciamento social, uso de máscaras e higiene, as igrejas não poderão abrir.

A desobediência civil dos cristãos

Assim, recordamos a frase proferida por André Mendonça, atual chefe da AGU. Segundo Mendonça, os cristãos não matam pela fé, mas, estão dispostos a morrer por ela. Aliás, esta é a marca do cristianismo ao longo da história. Ou por outra, “o sangue dos mártires é a semente dos cristãos”.

Ademais, fugindo um pouco da questão puramente religiosa, somos impelidos a lembrar da obra “Desobediência Civil“, escrita por Henry David Thoreau. Com efeito, na obra, Thoreau faz o seguinte registro: “A lei nunca tornará livres os homens, são os homens que precisam tornar livre a lei.”

Certamente que ao inserirmos a frase dita por Thoreau na atual realidade do Brasil, vamos observar o exato oposto. Em outras palavras, faz-se uso da lei (inconstitucional) para aprisionar os homens. Enfim, a religiosidade do individuo está aprisionada, restrita a uma fé doméstica.

Leia também:

Dr. Jairinho e Monique Medeiros merecem a pena de morte

O estatuto do desarmamento é o verdadeiro genocídio

Cristãos perseguidos: China lidera ataques a igrejas

Igualmente, na “Desobediência Civil“, encontramos outro ponto. A saber,

“Se mil homens deixassem de pagar os seus impostos este ano, isso não seria uma atitude violenta e sangrenta, violento e sangrento seria pagá-los, capacitando o Estado a cometer a violência e derramar sangue inocente.”

Certamente que o Estado brasileiro não chegou ao ponto de derramar sangue inocente. Mas, nesse contexto de pandemia, os casos de violência contra cidadãos de bem, tem sido uma constante.

De maneira idêntica, usarão de violência, caso os cristãos optem por desobedecer aos decretos dos governadores e prefeitos?

Por outro lado, há quem possa argumentar que na Bíblia Sagrada existem passagens que recomendam o Povo de Deus seguir as leis a fim de manter a paz. No entanto, na mesma Bíblia, observamos o famoso relato de Sadrak, Mesac e Abdinego. Estes, seguindo suas crenças, resolveram desobedecer uma lei imposta pelo Estado.

Conclusão

Por fim, os ministros do STF flertam com um conflito civil sem precedentes caso lideranças religiosas optem por abrir suas igrejas. Desse modo, os responsáveis não serão tais lideranças. Mas, sobretudo daqueles que escolheram a imposição de medidas draconianas, estas, até a presente data, não resultaram na redução de mortes, muito menos na redução da propagação do vírus. E menos na ampliação dos leitos.

Em suma, há momentos em que a desobediência civil é o único caminho viável. Estarão os cristãos dispostos a seguir essa trilha?

Por Jakson Miranda

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *