O problema da doutrinação sistemática

Nunca devemos subestimar a capacidade de doutrinação da esquerda

Nunca devemos subestimar a capacidade de doutrinação da esquerda. Ela cresce a cada dia, justamente porque faz de adolescentes o alvo da militância

Continuam em sua doutrinação, convertendo jovens incautos, que acabam sendo transformados em militantes histéricos e prepotentes. Doutrinadores aproveitam-se do fato de que adolescentes — além de não terem conhecimento algum sobre o socialismo ou ditaduras socialistas — também não tem maturidade nem discernimento para compreender no que estão se metendo.

Isso não é novidade para nenhum de nós. A esquerda faz isso a décadas nas escolas e nas universidades. Não obstante, nos ambientes virtuais — na internet, nas redes sociais, nos fóruns políticos — a esquerda encontrou um ambiente fértil onde ela pode se alastrar à vontade, sem ter nenhum tipo de restrição ou limite para a sua sede insaciável de doutrinação, mentiras e manipulação da realidade. O que é mais uma armadilha, capaz de atrair jovens seduzidos por ideias progressistas.

Para citar um exemplo, no site Sul 21 há uma matéria ostensivamente tendenciosa intitulada “Dez fatos sobre o comunismo-socialismo que você deveria saber antes de destilar ódio“, que está saturada de mentiras, falácias e distorções históricas grosseiras sobre o assunto. Na verdade, não há uma única sentença na matéria que possa ser considerada verdadeira. Nesse tipo de matéria, no entanto, fica muito claro como é o Modus Operandi dessa gente cínica e sorrateira: eles enaltecem demais os supostos “benefícios” do socialismo enquanto ocultam a destruição, o morticínio e todas as desgraças inerentes a esse sistema político. Essa é a tática de doutrinação da esquerda.

Vamos analisar três pontos da matéria em questão, e desmistificá-los:

Nunca em toda a história do século XX algum país capitalista conseguiu superar as médias anuais de crescimento dos países socialistas. Tanto URSS entre os anos 20 e 30 e depois nos anos 60, quanto a China desde a década de 90 chegaram a atingir médias anuais de dois dígitos de crescimento por décadas.”

A verdade: No final de 1929, com efeitos que estenderam para as décadas de 1930 e 1940, é verdade que os Estados Unidos sofreu um revés econômico intenso, em decorrência da Grande Depressão; e a recuperação do país foi relativamente lenta. O que essa matéria saturada de falácias convenientemente omite é que nos anos 1940, os Estados Unidos já era uma potência mundial de novo, e sua economia se desenvolvia a pleno vapor. Nessa mesma época, os dirigentes máximos da União Soviética, no entanto, passaram a proibir filmes americanos de serem exibidos nas salas de cinema, porque não queriam que a população descobrisse que nos Estados Unidos, qualquer operário, por mais pobre que fosse, conseguia ter o seu próprio carro.

Na União Soviética, quando um indivíduo comprava um carro, ele só era entregue ao comprador dez anos depois. Isso deixava muito evidente a ineficácia do sistema de planejamento central, inerentemente precário e indiferente às necessidades do consumidor.

Às vezes, dependendo do caso, era possível subornar as autoridades do partido comunista, para que o veículo fosse entregue um pouco antes do prazo. Assim, ao invés de esperar dez anos, o consumidor esperava apenas nove anos e meio. Aqueles que finalmente conseguiam ter o seu próprio veículo não podiam estacioná-lo em qualquer lugar.

Haviam lugares especiais para se deixar o carro; afinal, se o proprietário do veículo fosse descuidado, quando ele saía com o seu veículo, se o deixasse em qualquer lugar, ele corria o risco, ao voltar, de ver o seu carro completamente depenado, pois naquela época já existia um vasto e imensurável mercado negro de peças automotivas; o que era uma consequência lógica da inexistência de um mercado livre, e outra falha inerente do sistema de planejamento central. Não adianta existirem veículos, se não houver lojas com peças automotivas e oficinas mecânicas para repará-los quando eles estão avariados. Ronald Reagan — presidente dos Estados Unidos de 1981 a 1989 — fazia piadas recorrentes com relação a esse assunto.

O socialismo chinês e o resultado da doutrinação de Mao Tsé Tung

Ao falar da China, o autor do texto mentiroso também omite que graças a esse sistema de planejamento central, os chineses foram obrigados a se sujeitar ao Grande Salto Adiante, um projeto maoísta de industrialização econômica, que entrou em colapso, e resultou na Grande Fome da China, que matou aproximadamente cinquenta e cinco milhões de chineses de inanição. A partir dos anos 1980, a China começou a experimentar grande desenvolvimento econômico, porque quando Mao Tsé-tung — o atroz ditador comunista da China —, morreu, ele foi sucedido então pelo benigno e pragmático Deng Xiaoping, que não apenas não era marxista, como compreendia, para a sorte dos chineses, que apenas o capitalismo pode gerar coeso e consistente desenvolvimento econômico.

O que se desenvolveu na China, no entanto, foi um capitalismo de estado, que foi colocado à serviço do socialismo político. Essa combinação mostrará toda a fatalidade da sua prepotência totalitária. O sistema de planejamento central da China irá levar a nação a um grande colapso econômico, muito em breve. Os planejadores centrais do Partido Comunista Chinês, há décadas, constroem inúmeras cidades, que em sua maioria permanecem vazias. As poucas que são habitadas, não são ocupadas com sua capacidade total. Por exemplo, Kangabashi, com capacidade para 300 mil pessoas, é habitada por aproximadamente 30 mil indivíduos. Tianducheng, com capacidade para abrigar aproximadamente 100 mil pessoas, tem aproximadamente 2 mil habitantes.

Essa desenfreada — e terrivelmente desnecessária — construção de cidades, além de mostrar explicitamente que o desenvolvimento da China é completamente artificial, tendo sido realizado à base da expansão de crédito, gerou uma bolha econômica nunca antes vista na história. Para o leitor ter uma ideia da gravidade da situação, em apenas três anos, de 2011 a 2014, a China gastou mais concreto do que os Estados Unidos durante todo o século 20.

Agora, com 64 milhões de apartamentos vazios, muito em breve vamos testemunhar a maior recessão financeira da história, assim que o mercado imobiliário chinês implodir. Quando bens de consumo são construídos sem qualquer necessidade, consequências destrutivas são inevitáveis. Elas podem ser adiadas, mas não evitadas.

Quanto mais adiado for, no entanto, maior será o impacto da recessão quando ela estourar. É isso o que faz um sistema de planejamento central, que ignora completamente a lei natural de oferta e demanda, bem como a realidade prática e a ortodoxia econômica de uma economia salutar. Ou seja, o capitalismo de estado chinês, aplicado para servir às diretrizes socialistas dos planejadores centrais, gerou um problema que, tanto no curto quanto no longo prazo, será impossível de solucionar.

A verdade sobre a Revolução Russa

Outra mentira deslavada publicada na matéria: a transição de uma sociedade feudal (medieval) para uma sociedade industrial levou no capitalismo cerca de 200 anos (entre os séculos XVI e XVIII) e no modelo socialista levou pouco menos de 20 anos (entre 1917 e a década de 30)

A verdade: a transição do feudalismo para uma economia de mercado ocorreu de forma gradual e majoritariamente pacífica; elas foram o resultado de um desenvolvimento natural da sociedade humana. Ao contrário das revoluções socialistas, que foram todas sanguinárias, violentas e implacáveis, e resultaram em inenarráveis carnificinas. E que — ao contrário do que muitos socialistas pensam — foram financiadas pelos grandes oligarcas e banqueiros do sistema financeiro internacional. Quando Leon Trotsky morou em Nova Iorque, seu grande objetivo era procurar patrocinadores para a revolução bolchevique.

A contribuição de banqueiros americanos como Jacob Schiff para a revolução está muito bem documentada. Abraham Kuhn, fundador do banco Kuhn Loeb & Co., financiou o primeiro plano quinquenal de Stálin. As poderosas elites do mercado financeiro mundial estavam interessados em depor os Romanov — a dinastia real que então governava o Império Russo —, porque ansiavam monopolizar as reservas de gás, os recursos naturais e as jazidas minerais das vastas planícies da Rússia. Perceberam também que poderiam escravizar a força de trabalho com um regime totalitário. Portanto, o socialismo só pôde ser implementado na União Soviética graças a uma revolução que foi inteiramente financiada pelo poderoso capital estrangeiro das elites bancárias americanas e europeias. As revoluções socialistas só aconteceram porque houveram quem as financiasse; e seus patrocinadores tinham todos motivações sórdidas e escusas. Desejam monopolizar completamente determinadas fontes de riquezas.

Socialistas, no entanto, gostam de vislumbrar acontecimentos como a revolução bolchevique por um viés ostensivamente infantil, idealista e romântico. Pois só assim a doutrinação terá eficácia.

Eles acham que Trótsky, Lênin, Kamenev e Stálin eram aguerridos e corajosos heróis que um dia decidiram se insurgir contra as injustiças do mundo. Nada mais pueril e distante dos fatos históricos do que essa visão infantil da carnificina comunista de 1917, que os incautos e ignorantes chamam de “revolução”.

Ademais, todos os países socialistas acabam retornando ao capitalismo, de um jeito ou de outro, porque o socialismo pleno gera um nível atroz de miséria, estagnação e retrocesso. China e Vietnã estão aí para provar isso. Portanto, ao passo que a transição de um sistema feudal para uma sociedade de mercado foi uma evolução natural, o socialismo está no extremo oposto desta equação: é um sistema que não faz parte da natureza humana, e só pode ser implementado de forma arbitrária, agressiva e violenta, à revelia da população de um país. Por ser maléfico, improdutivo, monopolista, centralizador, agressivo e autoritário, seus resultados sempre foram os mais deploráveis possíveis. Pobreza, miséria, escassez, inanição, genocídio, totalitarismo de estado e repressão estatal sempre foram sintomas inerentes da doença socialista.

Outro ponto veiculado na matéria: a Resistência ao nazi-fascismo foi feita nos países ocidentais majoritariamente pelos comunistas. Tanto na França quando na Inglaterra os grupos de “partisans” eram formados a partir das organizações comunistas e estas representaram a única efetiva oposição ao fascismo que começou ainda na Guerra Civil Espanhola.

Isso não faz a menor diferença. É trocar seis por meia-dúzia. Nazismo, fascismo, comunismo, socialismo, são diferentes faces da mesma moeda. São todos regimes totalitários, cruéis, malignos, opressivos, sádicos, brutais e violentos. Todos eles devem ser suprimidos e completamente erradicados do ambiente político. Produziram regimes totalitários e quantidades colossais de cadáveres. Nenhum ser humano — que seja verdadeiramente bom, sensato ou correto — deve fazer apologia de qualquer um destes sistemas despóticos, perniciosos, sádicos e genocidas.

Conclusão

Infelizmente, a doutrinação está muito presente no ambiente virtual. Os pais devem permanecer atentos ao que seus filhos estão lendo, aos sites que eles estão frequentando, aos fóruns dos quais fazem parte, aos livros que eles estão pegando na biblioteca da universidade. Suplantar a doutrinação marxista em seu estágio inicial é muito mais fácil. Inicialmente, seu filho pode ficar bravo, enfurecido, indignado; mas isso é para o próprio bem dele.

E mais cedo ou mais tarde, ele não apenas entenderá, como será grato a você por ter proibido ele de consumir lixo tóxico. Assim como não ingerimos veneno para nos alimentar, também não devemos permitir que nossas faculdades intelectuais sejam conspurcadas pela maléfica e depravada doutrinação marxista. Depois que um adolescente estiver contaminado com o vírus marxista, erradicar a doença será um processo muito mais difícil, doloroso e angustiante, para não dizer completamente impossível, em muitos casos. Cortar o mal pela raiz é sempre a melhor solução.

Por fim, Felipe Neto é mais um exemplo de doutrinação na internet e nas redes sociais que a esquerda tem se valido. Devemos combater esse mal.

Por: Wagner Hertzog

 

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