O socialismo é um fetiche da aristocracia

é muito fácil para os mais ricos falarem de socialismo. Eles podem se dar ao luxo de pagar impostos absurdos.

Na sociedade contemporânea, não são poucos os ricos e os muito ricos que defendem arduamente o socialismo. Atores, cantores e celebridades de todos os tipos há muito tempo defendem o socialismo com convicção, mordacidade e veemência.

Há algum tempo atrás, o famoso ator canadense Jim Carrey falou que “nós precisamos dizer sim ao socialismo“. Há vários meses atrás, durante a cerimônia do Oscar, o ator Joaquin Phoenix fez um discurso politicamente correto, típico da elite progressista hollywoodiana. Nada de novo debaixo do sol. Há décadas, a aristocracia tem um grande fetiche pela esquerda política, e atualmente ostenta isso abertamente.

Infelizmente, aqui no Brasil não nos faltam exemplos idênticos igualmente deploráveis. Atores e celebridades como Gregório Duviver, Fábio Porchat, Wagner Moura e Zé de Abreu são conhecidos militantes progressistas, que apoiam a causa socialista. Todas essas pessoas são muito ricas e muito bem-pagas pelo trabalho que fazem. Na verdade, chega a ser irônico ver como o socialismo — que à princípio se propõe a ser uma doutrina política supostamente dirigida aos mais pobres e desfavorecidos —, acabou sendo uma bandeira das elites ricas e famosas.

Mas por que pessoas ricas defendem o socialismo? O que elas pensam? Por que razões fazem isso?

Socialismo e capitalismo

Em primeiro lugar, socialistas não tem um entendimento claro de como o mundo efetivamente funciona, tampouco possuem algum tipo de esclarecimento sobre leis e princípios econômicos. Eles acham que é nobre o governo confiscar através de impostos parte da renda dos mais ricos e distribuí-las para os mais pobres. De acordo com o seu raciocínio simplório, isso irá mitigar a pobreza e a miséria, e assim gradualmente todos os problemas da sociedade serão resolvidos. A questão é que existem inúmeros elementos da realidade que são incompreensíveis para os militantes socialistas, em virtude de sua vasta complexidade. Vamos esclarecê-los.

Em primeiro lugar, infelizmente é natural que sociedades capitalistas gradualmente se convertam ao socialismo. A história nos mostrou isso através de inúmeros exemplos, dos quais o caso venezuelano é possivelmente o mais contundente.

O economista austríaco Joseph Schumpeter escreveu em um de seus livros que a pujança e a fartura de uma economia de mercado livre invariavelmente levaria as pessoas a pensarem que a prosperidade material é algo natural e corriqueiro, inevitável, e que um colapso desse sistema é simplesmente uma grande impossibilidade. Acostumados com a pujança e a fartura, militantes tendem a pensar que o mundo sempre foi assim, e continuará sendo assim, não importa as políticas intervencionistas que o governo poderá ou não aplicar sobre a iniciativa privada. E que independentemente das políticas adotadas, as empresas sempre existirão.

Como funciona o socialismo

Isso acontece porque — em sua imensurável ignorância sobre economia — militantes não compreendem como a expressão voluntária e descentralizada de um livre mercado permite que recursos sejam alocados de forma coesa e racional. Isso leva a uma maior produtividade de todas as empresas em atividade, o que permite que recursos sejam transformados em eficiência, serviços e produtos baratos. É essa dinâmica livre e essencialmente descentralizada, que respeita a autonomia e a liberdade dos agentes produtivos, que permite que tenhamos a nossa disposição tudo aquilo que precisamos comprar, e com extrema fartura e abundância.

Essa é uma das razões pelas quais regimes socialistas rapidamente se desintegram e entram em colapso. É simplesmente impossível que meia dúzia de planejadores centrais consigam compreender todas as necessidades da população, tampouco atender de forma dinâmica e eficiente a todas essas necessidades.

Como Hayek explicou, a informação está dispersa entre os milhares de indivíduos que compõem uma sociedade. É impossível que todas estas informações sejam devidamente assimiladas e absorvidas por um determinado grupo de burocratas. Ainda mais impossível é que eles possuam inteligência, aptidão e capacidade para colocar todo esse conhecimento em prática, e tenham à sua disposição todos os recursos necessários para isso.

O melhor é deixar os indivíduos livres para correrem atrás dos seus próprios objetivos. Trocar o capitalismo pelo socialismo é como trocar milhares de fornecedores — que são obrigados pela lei da oferta e da demanda a serem eficientes — por um só, o governo, que, como não precisa operar de acordo com as leis de mercado, não precisa ser eficiente.

Características do socialismo defendidas pelos ricos

É justamente a ignorância com relação ao processo econômico e a dinâmica da produtividade — que propicia pujança e prosperidade material — que serve de base para o socialismo e para que as pessoas acreditem no socialismo. É a partir dessa ignorância que o socialismo nasce e se mantém.

Outra coisa importante a esclarecer sobre esse assunto é que esses socialistas ricos são pessoas demasiadamente autocentradas e ensimesmadas. Como eles são pessoas absurdamente ricas, muitos não se importam em pagar mais impostos. Assim sendo, eles pensam que todas as pessoas  assim como eles , igualmente não se importarão em pagar mais impostos. É verdade que muitas celebridades sonegam impostos. Socialistas que sonegam impostos não passam de hipócritas cínicos e depravados.

Socialistas ricos, no entanto, não levam em consideração como toda essa tributação afetará os mais pobres; como a maioria dos impostos são indiretos e a tributação incide majoritariamente sobre o consumo, são justamente os mais pobres que acabam sendo os mais prejudicados e os mais depauperados pelo agressivo sistema tributário que praticamente dilacera os seus parcos dividendos.

Socialistas ricos — como não entendem absolutamente nada sobre sistema tributário —, ingenuamente pensam que o governo só cobrará mais impostos dos mais ricos e da classe média, que já é ostensivamente depauperada pelo governo, e que o dinheiro arrecadado será redirecionado para os mais pobres.

A verdade, no entanto — ao contrário do que os socialistas chiques, muito bem acomodados nas amplas salas recreativas de suas mansões palacianas pensam —, é que a maior parte do dinheiro que o estado arrecada é usado para pagar os salários nababescos da elite política e da aristocracia do funcionalismo público.

Problemas do socialismo

Na verdade, muitas pessoas não se dão conta de que vivemos um cenário nefasto, que prioriza um sistema completamente estruturado sobre uma inversão absurda, onde os mais pobres sustentam os mais ricos. O pobre que ganha um salário mínimo — ou muitas vezes nem isso — tem 70% dos seus dividendos confiscados em impostos indiretos, para bancar o salário do deputado que ganha 34 mil por mês, do desembargador que ganha 100 mil, e até mesmo do juíz que ganha 600 mil.

Socialistas chiques não conseguem compreender como vive o povão de fato, o cidadão comum, assim como também não compreendem a natureza inerentemente iníqua e exprobatória de estados, governos e políticos, que existem unicamente para expropriar através de impostos, taxas, tarifas e contribuições compulsórias todas as riquezas geradas pela sociedade produtiva. Esse é o único interesse deles.

Como foram invariavelmente doutrinados por uma ideologia infantil, utópica e simplória — além de estarem permanentemente alienados pela abundância de suas riquezas, que os exime da obrigação de vivenciar de perto as urgências da realidade —, socialistas chiques perderam completamente a capacidade de compreender o mundo como este de fato se apresenta. Eles realmente acreditam na fantasia de que governos administrados por políticos de esquerda podem se transformar em paraísos graciosos e pacíficos, cheios de igualitarismo e esplendor.

As estrelas do PT

Claro, não é segredo para ninguém de que no Brasil, muitos artistas se tornaram ardorosos defensores da esquerda e do PT por motivos egoístas, porque eram beneficiados por editais da Lei Rouanet. Muitas celebridades tinham seus projetos artísticos aprovados e financiados pelo governo petista em troca de apoio político. Essa é uma maneira pelo qual governos conseguem apoio, cooptando artistas e celebridades com dinheiro e financiamento dos seus espetáculos.

Há também aqueles que não ousam enfrentar o establishment artístico progressista porque são covardes. Tem medo das consequências que podem lhes sobrevir; afinal, sabem que podem ter suas carreiras comprometidas, caso decidam bater de frente contra a agenda progressista.

Famosos, americanos e comunistas

Nos Estados Unidos, por exemplo, há muito tempo Hollywood é uma ditadura progressista, um antro de comunistas, socialistas, progressistas e liberais democratas. Atores que ousaram enfrentar o establishment, como Kevin Sorbo — que afirmou ser cristão, uma coisa que a esquerda detesta — e Antonio Sabàto Jr. — que declarou abertamente o seu apoio ao presidente Donald Trump — tiveram suas carreiras seriamente prejudicadas, e inúmeras oportunidades de trabalho lhes foram negadas. Ambos tiveram seus nomes incluídos em “listas negras”, e passaram a sofrer ostracismo por parte dos estúdios. Enfrentar a ditadura progressista é algo que pode custar a sua carreira e oportunidades de trabalho.

Há ainda, é claro, especialmente entre os nossos, os hipócritas. Aqueles que realmente só se importam com os pobres na teoria, e criticam avidamente o capitalismo porque querem “lacrar” e agradar a turminha que faz parte da ditadura do politicamente correto. Zé de Abreu, por exemplo, há alguns meses atrás — insatisfeito com os rumos políticos que o Brasil está tomando — decidiu ir morar na Nova Zelândia, um dos países mais economicamente livres, e portanto mais capitalistas, do mundo.(José de Abreu demitido: será palhaço internacional?)

A “filósofa” de confeitaria Márcia Tiburi se mudou para os Estados Unidos. Jean Wyllys se mudou para a Espanha. Enfim, nenhum deles se muda para Cuba, Venezuela ou Coreia do Norte. Eles sempre se mudam para países capitalistas prósperos e livres, onde podem continuar a militar em favor de alguma ditadura de esquerda, que eles nunca visitaram, mas que eles afirmam ser o paraíso na Terra.

Finalizando

Enfim, é evidente que essa gente não se importa nenhum pouco com os pobres ou com “justiça social”. Para essa gente, esses conceitos não passam de abstrações vulgares. Militantes progressistas e ativistas socialistas se importam unicamente com a própria imagem e a própria reputação. São pessoas ostensivamente vaidosas e narcisistas, que querem ser elogiadas e glorificadas por terceiros, por parecerem “puras”, “justas” e “preocupadas” com os desfavorecidos. Sua vaga e abstrata preocupação com a humanidade termina onde o próprio bem-estar financeiro começa.

Ou seja, é muito fácil para os mais ricos falarem de socialismo. Eles podem se dar ao luxo de pagar impostos absurdos. Se o governo cometer excessos, eles podem sempre realocar suas riquezas e seus vastos dividendos para paraísos fiscais e mudar de país. As verdadeiras consequências do socialismo, no entanto, sobram justamente para os mais pobres, que vão ficando cada vez mais depauperados e famélicos, até não restar opção nenhuma, a não ser comer lixo ou morrer de fome.

Por Por Wagner Hertzog 

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