O verdadeiro capitalismo, o progresso e o Estado brasileiro

O verdadeiro capitalismo, o progresso e o Estado brasileiro

"Impostômetro" por xun renascido é licenciado sob CC BY-NC-SA 2.0

No Brasil nunca existiu um capitalismo clássico, ou verdadeiro, e isso tem seu preço: subdesenvolvimento

Assim, em certa ocasião, Gil Castelo Branco fundador e secretário-geral da Associação Contas Abertas, declarou: “O Estado brasileiro é paquidérmico, patrimonialista, corporativo, ineficiente e caro. Tem gorduras, nos três poderes, que não serão eliminadas com um simples regime. Será preciso uma lipoaspiração ou até uma cirurgia bariátrica”. Em outras palavras, inexiste um verdadeiro capitalismo, logo, não há progresso.

Dessa forma, infelizmente o cidadão brasileiro não compreende que o Estado regulador gigantesco que hoje ele financia através de impostos é um dos maiores problemas que afligem os cidadãos brasileiros e comprometem efetivamente o desenvolvimento da nação. Financiamos um dos Estados mais caros do mundo e nossa produtividade é comparativamente baixa, justamente pelo excesso de regulações e exigências burocráticas. Ou seja, não há aqui um verdadeiro capitalismo.

De fato, o Brasil é o quarto país no mundo que mais tributa empresas. Isso acaba inibindo financiamentos no setor privado, o que prejudica ostensivamente o desenvolvimento econômico. Como resultado, continuamos a ser um país pobre, marginalizado e subdesenvolvido. O progresso e a prosperidade não passam de projeções teóricas jamais alcançadas.

Por essa razão, a redução do Estado é extremamente necessária, especialmente reduzir a sua intervenção no setor econômico. Infelizmente, esse é um problema muito mais fácil de apontar do que solucionar. Há décadas, diversas oligarquias estão encasteladas em diversas empresas estatais e não vão abdicar do controle que exercem em determinadas áreas. Por essa razão é tão difícil fazer reformas econômicas no Brasil. Plutocracias políticas estão no controle absoluto de determinados setores econômicos.

O extenso jogo de interesses que existe em áreas específicas faz com que seja ostensivamente impraticável abrir o mercado no Brasil. Desta maneira, os brasileiros permanecem reféns de um status quo terrivelmente funesto, cujo maior objetivo é perpetuar indefinidamente a condição na qual nos encontramos.

O ciclo de estagnação

Isso faz com que o Brasil fique soterrado em um ciclo de estagnação, gerado por dois grandes problemas que agravam um ao outro — ter que sustentar um Estado soviético caro, dispendioso e enorme, mas como uma economia rigidamente asfixiada por regulações, que torna a geração de receita cada vez mais improvável. E nessa equação desfavorável, não ajuda em nada termos o segundo congresso mais caro do mundo e o judiciário mais caro do mundo. Uma carga tributária excruciante, extorque a população produtiva para sustentar uma classe política nababesca e os soberanos marajás do funcionalismo.

Portanto, pautas como a redução do Estado e a redução dos seus custos devem estar sempre sendo debatidas, para que não caiam no esquecimento. Uma expressiva parcela dos problemas que acometem o Brasil são consequências diretas dessas duas grandes adversidades.

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Afinal, a exacerbada burocracia e os custos do Estado regulador inibem investimentos, e a ausência de investimentos contribui para que o Brasil seja um país cada vez mais pobre. Os custos crescentes da máquina pública acabam fazendo com que o Estado cobre impostos cada vez mais aviltantes da população, o que inibe ainda mais os investimentos e a possibilidade de crescimento do Brasil. De maneira que a pobreza se torna um problema crônico que se expande de forma progressiva e geométrica no país inteiro, sem qualquer chance de solução.

Conclusão

Assim, por cinco anos consecutivos empresários brasileiros foram responsáveis por sete de cada dez novas indústrias que abriam no Paraguai. Até hoje, muitos empresários continuam se mudando para o país vizinho. Em resumo, é muito mais fácil abrir e manter uma empresa no Paraguai.

Regulações exacerbadas, impostos excruciantes e exigências fiscais impraticáveis fazem com que o empreendedorismo fique cada vez mais inviável aqui. A fuga de capital é totalmente justificada. Sobretudo porque temos um Estado terrivelmente parasitário, comparável ao de países socialistas como a Venezuela e a Argentina. E o que precisamos é justamente o contrário — precisamos de liberdade econômica, não de estagnação socialista.

Enquanto permitirmos que as riquezas e a produtividade sejam inviabilizadas, vamos permanecer sendo um país de terceiro mundo. Por fim, precisamos de mais empreendedorismo e de um capitalismo verdadeiro. E isso só é possível se forem reduzidos os poderes e a intervenção do Estado. Para o Brasil crescer, o Estado precisa sair do caminho de quem deseja inovar e empreender.

Por Wagner Hertzog

 

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