Para professores o ENEM ideologizado e idiotizante tem prova bem elaborada

Entre ontem e hoje, estão ocorrendo as provas do ENEM. Desde sua criação, em 1998 até o momento atual, o Exame Nacional do Ensino Médio tem passado por sucessivas mudanças. Inicialmente, as provas serviriam como um medidor da qualidade do Ensino Médio, hoje, é quase como um vestibular unificado que tem sido utilizado tanto nas Universidades públicas quanto particulares.

Do ponto de vista do seu objetivo primário, (avaliar o Ensino Médio) podemos dizer que o ENEM fracassou. Fracassou porque de 1998 para cá, não se detectou nenhuma melhora significativa no Ensino Médio, ou, não se detectou melhora alguma. Ao contrário, em termos de conhecimento, assistimos a uma involução.

Quais os motivos desta involução?

É impossível aqui, não ser feita uma correlação entre tal involução e a ideologização pelo qual tem passado os sistemas de ensino nos últimos anos. Se antes tal ideologização vinha a conta gotas, agora, vem em doses cavalares.

É nesse contexto que se encontra o ENEM. Ano a ano, prova a prova, o Exame vem abrindo mão de medir o nível de aprendizado dos alunos e optando por um viés declaradamente doutrinador, naquele modelo em que o aluno responde aquilo que os avaliadores querem ler, sem levar em consideração, nessas perguntas e respostas, o certo e o errado.

E o que dizem os professores? Pelo menos para aqueles que a Folha de S. Paulo entrevistou, está tudo dentro dos conformes. Tudo lindo, maravilho e de bom nível. Leiam:

Na avaliação de professores de alguns cursinhos a prova do Enem, aplicada neste sábado (24), foi bem elaborada e mais exigente que as de anos anteriores. Para eles, o exame seguiu a tendência das edições passadas, ficando mais parecido com os grandes vestibulares, como os da USP, Unicamp e Unesp.

“O aluno precisava saber muito. Ficou para trás aquela história de ler e com a interpretação de texto responder. Neste ano, ela exigiu muito conteúdo, muito conhecimento. No geral, as questões mostraram um nível médio para difícil”, avalia o professor Ronaldo Fogo, do Objetivo.

Com a mesma opinião, Célio Tasinafo, diretor pedagógico da Oficina do Estudante, afirma que, apesar disso, foi mantida a tendência do Enem de exigir bastante leitura, mas não a ponto de dificultar a resolução da prova.

Voltamos

Ou os professores estão enganados, ou estão tentando… Deixa pra lá. A verdade é que não há nada a comemorar com mais essa edição do ENEM.

Vejam essas imagens

simone

chinês

Há quem, não veja aí que a prova tenha caráter doutrinador. Há quem, não veja aí  uma prova de caráter ideologizante.

Alguém pode argumentar que são apenas duas questões de um total de… 90 (?). Poderíamos contemporizar se assim o fosse, porém, pelo histórico do MEC, pelo atual quadro da nossa educação, somos céticos em relação a essa hipótese. Ou seja, o mais plausível é que questões dessa natureza, sejam a regra e não a exceção.

Eis a qualidade e o nível da “Pátria Educadora“.

 

Por Jakson Miranda

 

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