Protestos no Brasil hoje é o melhor caminho? Devemos ter prudência

Protestos no Brasil hoje é possível? Devemos ter prudência

"Manifestação" é licenciada sob por Senado Federal CC BY-NC 2.0

Os protestos no Brasil marcaram o segundo mandato de Dilma Rousseff e a queda do PT e hoje, esse é o melhor caminho? 

O atual cenário da política nacional requer muita inteligência daqueles que tomam decisões e muita paciência do povo. Ou por outra, inteligência da parte do presidente Bolsonaro e paciência da parte dos seus apoiadores, eleitores. Todavia, é crescente o número daqueles que hoje, defendem a realização de protestos no Brasil. Ou seja, a repetição dos protestos que ocorreram pelo Brasil afora a partir de 2013.

Com toda a certeza, o que iremos dizer vai desagradar muito dos nossos leitores. Todavia, esse pequeno blog de direita não tem receio em suscitar o debate. Aliás, quando houve a greve dos caminhoneiros, este que ora escreve, foi um dos poucos que se posicionou contra. Não consigo apoiar a greve dos caminhoneiros

Dito isto, apesar de vivermos uma situação política, econômica, social e jurídica delicada, acreditamos que promover protestos no Brasil agora pode ser um ato perigoso. O que queremos dizer?

Sim, há um certo anseio que voltemos a repetir os protestos de rua realizadas a partir de 2015. Às vezes, não vemos outra opção senão essa. Todavia, precisamos ter em mente alguns pontos.

Em primeiro lugar, o contexto que fomentou os protestos no Brasil era outro. Ou seja, fomos às ruas contra o PT e contra a impunidade. Conseguimos derrubar o governo e pela primeira vez a justiça foi aplicada aos poderosos de plantão.

Por consequência, conseguimos eleger um presidente com inequívoco discurso conservador. Porém, na “onda Bolsonaro“, elegeram-se senadores, deputados, governadores e um pouco antes, prefeitos. Ao passo que esses, deram mostras do verdadeiro caráter e objetivos. Aí incluídos os “meninos do MBL“. Ademais, em 2020, muitos prefeitos adeptos do lockdown foram reeleitos. Como se Bruno Covas fosse fazer algo diferente depois de reeleito.

O momento exige prudência

Em segundo lugar, qual o objetivo e quais as consequências de realizarmos protestos no Brasil de hoje? Tirar prefeitos? Governadores? Ministros do STF? É provável que aqui, tal qual os movimentos revolucionários, as consequências sejam incertas.

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Em outras palavras, entendemos que são incertas as garantias de que o presidente sairia fortalecido com um movimento dessa natureza. (Lembremos que as eleições é “logo ali”). Hoje, todos vêem que Bolsonaro está sendo impedido de governar. Manifestações de rua em larga escala, podem tirar essa percepção que o grosso da população tem em relação ao governo. Só pata ilustrar, os protestos que tiraram o PT do poder, são uma continuidade dos protestos iniciados em 2013. Este, não tinha como foco o governo Dilma, antes, queria fortalecer o petismo e a esquerda.

Do mesmo modo, não há garantias de que os lideres de futuros protestos agora em 2021 ou em 2022, seriam todos aliados do presidente. O mesmo vale para os agentes políticos beneficiários com tal reação popular. Em suma, não devemos esquecer daqueles que surfaram na “onda conservadora” em 2018. Não eram da direita, eram apenas traidores oportunistas.

O que precisamos fazer? 

Por fim, finalizamos este artigo recorrendo às Sagradas Escrituras. Com efeito, em Mateus 10:16, encontramos a seguinte passagem:

Eis que vos envio como ovelhas entre lobos. Por isso, sede prudentes como as serpentes e sem malicia como as pombas“.

Igualmente aos discípulos, perseguidos como ovelhas, mas que deveriam se portar como serpentes, assim também devemos agir na arena política. A saber: com cautela, inteligência e esperteza. Isto é, em meio a lobos, a reação imediata é agirmos como leões, todavia, o mais eficaz, é agirmos como serpentes.

De acordo com esse quadro, a grande manifestação que devemos fazer é desde já escolhermos quem serão os senadores, deputados e governadores que iremos eleger em 2022. Todos estes devem ser terrivelmente conservadores.

Dessa maneira, conseguiremos mudanças além daquelas que conseguimos em 2015. Enfim, não adianta irmos às ruas, promover protestos pelo Brasil e ao final, termos os mesmos políticos reeleitos. Desse modo, o grande protesto deve ser através de uma silenciosa estratégia, cujos resultados serão vistos nas urnas.

Por Jakson Miranda

 

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