Ai, ai… Alguns podem nos acusar de pegar demasiadamente, no “pé” da revista Veja. Outros ainda mais afoitos podem sugerir que queremos causar alguma polêmica ou servirmos como ombudsman do semanário. Antes, tudo isso fosse verdade. E não é.

Nossa proposta é a de apresentar uma narrativa política, social, econômica e cultural que confronte diretamente o pensamento de esquerda e nessa nossa proposta, temos a liberdade de criticar ou elogiar este ou aquele jornal; esta ou aquela revista.

Assim, usamos esse nobre espaço para mais uma vez denunciarmos (ou seria desmascarar?) a revista Veja.

Para quem recebeu a revista no sábado ou neste domingo, 08/05/2016, e que ainda não iniciou sua leitura, se prepare. Em meio a reportagens que relatam primorosamente o ocaso de Dilma Rousseff e Eduardo Cunha e para deleite, o potencial e real risco de que Lula seja preso, quiçá julgado e condenado, é possível ler uma sutil defesa ao Partido dos Trabalhadores.

Em trecho de determinada reportagem, encontramos o seguinte texto:

A desmontagem, gradual mas implacável do mito Lula pode ser saudável para a política brasileira, que não carece de mitologias, mas o desaparecimento do PT como força política competidora não é propriamente a melhor saída – inclusive para os que se opõem ao partido e a sua doutrina. O quadro político brasileiro é tão raquítico e apodrecido que, dentro de sua moldura, raramente se estabelecem debates de natureza política ou ideológica que possam abrir caminhos originais para os desafios nacionais. A variedade partidária e ideológica é um sinônimo de uma democracia saudável e pujante, porque é no confronto de ideias que se fortalecem as convicções. Portanto, pode-se festejar a condenação de Lula, caso suas tramoias sejam confirmadas, MAS NÃO É UM SINAL DE REGOZIJO A CRIMINALIZAÇÃO DO PARTIDO. PARA O PAÍS, O MELHOR SERIA QUE O PT FOSSE CAPAZ DE FAZER UMA AUTOCRITICA VERDADEIRA, purificar-se da lama em que se meteu e voltar ao palco do debate das ideias.

O texto é de Thiago Bronzatto. Será da mesma escola que seu colega Kalleo Coura?

O trecho em destaque não deixa de informar uma verdade, a de que faltam à política brasileira debates de natureza política e ideológica, todavia, não nos informa o motivo dessa deformidade que só existe porque no debate político ideológico brasileiro só há uma ideologia inerente a quase totalidade dos partidos políticos. A ideologia de esquerda.

Ao pedir que o PT faça uma autocrítica e ao criticar a criminalização do partido mais corrupto da história política, o repórter, com o endosso dos editores da revista, quer levar-nos a acreditar que o PT representa uma vertente ideológica em oposição à outra. E qual seria essa outra vertente oposta ao PT? O PSDB? PSTU? PC do B? REDE? PTB? PSOL? PSB? PPS? A lista é enorme e nenhuma é oposta a ideologia petista, antes, bebem da mesma fonte e defendem os mesmos fins.

Com a devida vênia,  a extinção do PT não fará nenhum mal a politica brasileira, pois está claro que a quantidade de potenciais ocupantes do espaço não é pequena. De outro modo, é comprovadamente benéfico a qualquer sociedade, que indivíduos ou associações que pratiquem ou se valem de ilícitos, sejam duramente penalizados, com a prisão dos indivíduos e com a extinção das dita associações, que no caso, não passam quadrilhas criminosas.

Dito deste modo, não deixa de ser estarrecedor que a tal pujança da democracia seja apresentada em favor de um partido que nas palavras do historiador Marco Antonio Villa, não passa de uma quadrilha criminosa e essa mesma democracia saudável e pujante não seja aplicada a Jair Bolsonaro, como já denunciamos aqui.

Quem na revista irá defender uma autocrítica de Jair Bolsonaro e criticar aqueles que tentam criminalizá-lo? Se isto não é feito, é de supor-se que Veja não está preocupada com os antagonismos ideológicos, mas sim que o status quo político do nosso país não seja alterado, muito menos ameaçado.

Por fim, Veja tem apresentado uma linguagem tão escorregadia que semana a semana tem se escorregado com afinco ao lago enlameado dos petistas e seus seguidores. Carta Capital e Caros Amigos que aguardem, podem ter mais uma parceira.

Por Jakson Miranda

 

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