Seu negócio pode sobreviver a quarentena?

As consequências econômicas dos lockdowns e quarentena sem fim implementados compulsoriamente no Brasil

Woman at home looking through the persiennes

Estamos em uma quarentena sem fim, daí vem a pergunta: Quando o otimismo não é mais suficiente, o que podemos fazer?

As consequências econômicas dos lockdowns e quarentena sem fim implementados compulsoriamente no Brasil — à revelia da população — foram terrivelmente trágicos para o desenvolvimento do país. Até abril de 2020, mais de 700 mil empresas de pequeno e médio porte haviam decretado falência, deixando aproximadamente nove milhões de brasileiros desempregados.

Os resultados econômicos não poderiam ter sido piores. A devastadora hecatombe social e humana causada pelas imposições arbitrárias do coronazismo condenou milhões de brasileiros a perecer na miséria.

De acordo com o site CNN Business — pouco tempo depois que a quarentena e os lockdowns foram decretados —, “30% dos empresários tiveram que buscar empréstimos para manter seus negócios, mas o resultado não havia sido positivo: 59,2% simplesmente tiveram seus pedidos negados”. Agora, os empresários brasileiros não querem ouvir frases de efeito e aforismos otimistas, que não passam de abstrações vazias sem nenhum efeito prático. São necessárias soluções efetivas e pontuais para tentar resolver os problemas gerados pelas restrições impostas pelo coronazismo.

Que soluções seriam essas?

Evidentemente, não há uma fórmula mágica, muito menos algo que possa ser aplicado a todos indiscriminadamente. Agora, lidamos com fatores e circunstâncias externas que fogem ao nosso controle, e infelizmente não há muito o que possamos fazer em uma situação como a que enfrentamos.

Alguns negócios conseguiram se adaptar, se tornar menores e suprir novas demandas. Evidentemente, cada empresa deve analisar o seu modelo de negócio e verificar onde é possível cortar custos e realizar mudanças pontuais, que permitam ao empreendimento continuar em atividade. Infelizmente, é impossível revitalizar todos os pequenos negócios prejudicados pelo lockdown. Como sabemos, não adianta absolutamente nada tentar enfeitar o desastre com sorrisos e confetes coloridos. A situação não deixará de ser menos desastrosa por conta disso, assim como a realidade não deixará de ser menos dura e brutal.

O momento exige dinamismo. É necessário ser flexível, objetivo e pensar em soluções diversas, por mais heterodoxas que pareçam. Evidentemente, a solução não cairá do céu; portanto, é fundamental averiguar todas as possibilidades que estão à nossa disposição e optar, obviamente, pela menos dolorosa.

Infelizmente, lockdown e quarentena vieram em um momento de recuperação, onde a situação do Brasil parecia se encaminhar para uma revitalização do ambiente de negócios. A MP da Liberdade Econômica — que desburocratizava o setor privado e facilitava a abertura de novos negócios — foi fundamental para restabelecer a confiança de empreender no Brasil. Ainda que modestamente, essas medidas que favoreciam a liberdade econômica acabaram revitalizando o entusiasmo empreendedor dos brasileiros, e milhares de pequenos novos negócios entraram em atividade. Não obstante, com o coronazismo, aprendemos mais uma vez que a instabilidade, a
insegurança e o imprevisto efetivamente governam nossas vidas; portanto devemos estar sempre prontos para lidar com dificuldades e nos adaptar à novas circunstâncias.

É fato incontestável que a estabilidade tem uma consequência péssima em nossas vidas, pois ela nos deixa demasiadamente acomodados a uma determinada situação — geralmente de abundância, prosperidade e conforto. Quando o imprevisto sobrevém, somos acossados pelo desespero, pela aflição e pela angústia.

Embora determinadas emoções possam ser muito difíceis de controlar, é bom lembrar que sentimentos negativos de nada nos ajudarão. Muito pelo contrário, poderão nos exaurir ainda mais, e tornar muito pior uma situação que por si só já é ruim.

Solução certa e definitiva não existe para nenhum problema na vida. Circunstâncias adversas não raro nos obrigam a mudar; às vezes de emprego, de trabalho, de profissão, até mesmo de país. Muitos indivíduos, de funcionários
passam a ser autônomos, outros, de profissionais liberais passam a ser empregados. Uns que eram empregados e haviam se tornado proprietários do próprio negócio passaram a ser empregados novamente. No jogo da sobrevivência, o que você precisa fazer é detectar uma demanda que possa atender e se dedicar a ela com determinação.

Para citar um exemplo, o ator Iran Malfitano — que participou de novelas na Globo e na Record — atualmente trabalha no Rio de Janeiro como motorista de Uber. O que não faltará em nossas vidas são circunstâncias adversas, que nos ensinarão a sermos flexíveis; portanto, teremos que nos adaptar continuamente para sobreviver. Devemos aprender a desenvolver virtudes como flexibilidade e dinamismo, pois elas sempre nos ajudarão a superar dificuldades.

Infelizmente, estamos vivendo em um período crítico, no qual otimismo e frases de efeito não bastam. Muitas vezes, nos deixam ainda mais exasperados; afinal, gracejos motivacionais não pagam as contas.

No entanto, é interessante atentar para alguns fatos da vida que podem nos ajudar. Talvez o mais coeso e veraz deles é a falsa sensação de segurança que a estabilidade nos traz. A estabilidade não passa de uma ilusão. Amanhã, o imprevisto pode acontecer a qualquer um de nós e tudo pode mudar. Quando a estabilidade é prolongada, criamos raízes nessa falsa ilusão; acabamos ficando relaxados, então somos facilmente derrubados pelo primeiro obstáculo que aparece em nosso caminho.

O renomado filósofo e economista austríaco Ludwig von Mises certa vez disse: “Nunca e em lugar algum do universo existe estabilidade e imobilidade. Mudança e transformação são características essenciais da vida. Cada estado de coisas é passageiro; cada época é uma época de transição. Na vida humana nunca há calma e repouso. A vida é um processo e não a permanência no status quo.”

Que essa breve reflexão nos ensine sobre a natureza efêmera e instável do mundo em que vivemos, e quão fundamental é nos adaptarmos, para que sejamos capazes de sobreviver. Que essa infindável quarentena, antes de nos desanimar, nos traga novo ânimo e motivação.

Por Wagner Hertzog

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