Toffoli será investigado por integrar planilha da Odebrecht?

Marcelo Odebrecht afirmou que Dias Toffoli recebeu suborno da empreiteira

Há evidências de que o ministro Dias Toffoli esteja na planilha de propinas da Odebrecht. Quando ele será investigado?

Recentemente, Marcelo Odebrecht afirmou que Dias Toffoli recebeu suborno da empreiteira para servir como mediador de uma licitação que interessava à companhia. Tudo teria começado quando Toffoli serviu como advogado geral da União. Entre 2007 e 2009, Toffoli teria recebido propinas regularmente da Odebrecht antes de ser indicado por Lula a uma posição no Supremo.

De acordo com documentos e e-mails que corroboram o depoimento de Marcelo Odebrecht à Procuradoria Geral da República, dois advogados — Luiz Tarcísio Ferreira e Sérgio Renault — apresentaram Toffoli aos executivos da empreiteira para que Toffoli, em troca de uma robusta propina, favorecesse a Odebrecht na licitação da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio. Estudos previamente efetuados pela corporação indicavam vantagens na realização de operações na região do Rio Madeira, e a empreiteira ficou muito interessada em adiantar-se a seus concorrentes. Para isso, precisavam garantir a concessão da licitação.

Diversos e-mails aprendidos no HD do computador de Marcelo Odebrecht revelam um intrincado esquema de corrupção, nos quais os envolvidos comunicavam-se em código e acertavam o pagamento de propinas.Toffoli, por exemplo, era conhecido como “amigo de Adriano” (Adriano Maia, advogado, parceiro de Dias Toffoli em vários negócios escusos). Também se referiam ao Supremo como “Olimpo”.

Os podres, evidentemente, não param por aí. Eles vão muito mais longe. Portanto, nas investigações envolvendo a OAS, por exemplo, foi possível descobrir na planilha de propinas da empreiteira o registro de uma despesa de 15 mil reais, que a empreiteira bancou na casa de Dias Tofolli, para uma reforma em sua residência, em 2013. O irmão de Dias Toffoli, Ticiano Toffoli — ex-prefeito do município de Marília —, também tem seu nome registrado na planilha de propinas da empreiteira. Ele teria recebido uma verba no valor de 850 mil, em dinheiro, em 2012, além de muitos outros depósitos para as diversas campanhas políticas de que participou.

É tudo “fake news”

Dias Toffoli, evidentemente, quer ser um dos intocáveis da república. O presidente do supremo faz uso dos seus poderes plenipotenciários para suplantar tudo aquilo que depõe contra ele. Quando a revista Crusoé no ano passado apontou irregularidades contra ele, Alexandre de Moraes censurou a publicação a pedido de Toffoli. Começou aí o chamado “inquérito das Fake News“; que tenta, evidentemente, coibir a divulgação da verdade, e não de supostas mentiras arbitrariamente classificadas “Fake News“.

As grandes corporações que operam em território nacional estão saturadas de corrupção. De fato, a corrupção existe e floresce com abundância justamente onde há uma simbiose do poder público com o setor privado. Logo, no reino da podridão, a sujeira não tem fim. Só para citar mais um exemplo, entre 2008 e 2010, a Odebrecht trabalhou junto ao congresso para tentar obter concessões tributárias. E isso envolveu o pagamento de muitas propinas para várias figuras importantes do governo, como Antônio Palocci, Guido Mantega e vários figurões do PMDB; que — como sempre — parece estar metido em praticamente todas as transações ilícitas que ocorrem em território nacional.

De acordo com diversos documentos, a Odebrecht também pagava diversos lobistas para que estes trabalhassem junto aos tribunais superiores em favor da manutenção dos interesses da empreiteira.

O mais impressionante nesse caso até o momento é o silêncio da mídia tupiniquim à respeito do assunto. Mesmo tendo material para um escândalo de proporções épicas, que expõem as entranhas de centenas de negócios ilícitos entre os oligarcas das grandes corporações e os principais atores da alta elite do judiciário e do executivo federal.

A resposta para isso, é claro, é que parte da mídia está com medo, enquanto a outra parte é cúmplice da podridão. Também sabemos que qualquer indivíduo que se pronuncie contra os “respeitáveis” e “sacrossantos” semideuses intocáveis do nosso “íntegro” e “impecável” sistema judiciário correm o risco de serem censurados e acusados de disseminar “Fake News“.

Conclusão

Assim, com os poderes plenipotenciários que os ministros usufruem — especialmente Dias Toffoli, presidente do Supremo — infelizmente, esses crimes serão simplesmente ignorados. Se virarem inquéritos, o que é muito difícil, irão prescrever e não darão em nada. O Supremo diversas vezes já intimidou a Procuradoria Geral da República, alertando que a Operação Lava Jato não pode chegar até elite do poder judiciário. Mais uma vez, a justiça terá que se desdobrar com cautela e coragem se pretende combater de fato os poderes corrompidos e putrefatos da república.

Por Wagner Hertzog

 

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