Universidades Públicas no Brasil: Aonde o pobre paga os estudos dos ricos

Não tenho nada contra a riqueza, longe disso. Também não sou contra os ricos. Desde que a riqueza adquirida tenha sido por meios legais.

Sob esse prisma, entendo perfeitamente que é direito de quem dispõe de uma boa conta bancária, ter seus iates, jatinhos, mansões luxuosas, carrões e fazer check-ups no Einstein ou no sírio e claro, pagar uma boa escola particular para os filhos… Obrigatoriamente, bilíngue.

Obviamente que não é necessário que se tenha uma boa conta bancária para que se mande o filho a uma escola particular. Não são poucas as famílias que fogem da escola pública e de forma heroica, esforçam-se para que frequentem uma escola particular, mesmo que de qualidade mediana.

Ainda assim, os que frequentam a rede pública representam mais de 80% do total de alunos. Ou seja, salvo as “ilhas de excelência”, a grande maioria desses alunos estão fadados a um ensino de péssima qualidade. Com raríssimas exceções, a grande maioria desses alunos, por conta das deficiências de aprendizagem, passarão longe das principais universidades públicas do país. Isto é, uma parcela significativa desses alunos, não cursarão o ensino superior, publico ou privado.

E por que é assim? É lógico que parte significativo do problema é pedagógico e o problema é pedagógico porque se trata de um serviço oferecido pelo Estado ao grosso da população.  Trata-se de um modelo pedagógico que quer embutir no alunado a “consciência critica”, cujo manual é a “Pedagogia do Oprimido”, “Pedagogia da Autonomia”, ou qualquer outra baboseira construtivista. É, portanto, um manual de péssima qualidade que serve tão somente para emburrecer e doutrinar crianças e jovens.

Essa é a triste realidade do nosso país. Esta é a dura realidade de um país onde pouco mais de 10% da população possui ensino superior. Assim, basta colocar a cabeça pra pensar um pouquinho para concluir que quem frequentou boas escolas, cursará as melhores universidades do país, matriculados nos melhores cursos. Quanto mais condições financeiras tem a família, maiores são as chances de que seus filhos se formem pela USP, UNICAMP, ITA e por aí vai. Saem formados em medicina, direito, economia, engenharia, odonto, etc.

Porque as melhores universidades do Brasil são públicas, qualquer cidadão, rico ou pobre, pode pleitear uma vaga. Todavia, não deixa de ser ESCANDALOSAMENTE IMORAL que a grande maioria da população brasileira, cujo filho sofreu as agruras da educação pública, pague, via impostos, os estudos de graduação daqueles que durante toda a vida estudaram em escolas particulares.

Pois bem, ano passado publiquei um texto que basicamente versa sobre essas mesmas questões. Já é um texto antigo e para minha surpresa, esses dias recebeu a visita e comentários de ferrenhos defensores das universidades públicas.

Um tal Felipe Braga, comentou o seguinte:

Discordo totalmente do argumento do artigo!
De onde as pessoas tiram que as melhores universidades do mundo são privadas? Segundo o ranking britânico QS:
1- MIT – Estados Unidos – privada;
2- Harvard – Estados Unidos – privada;
3- Cambridge – Reino Unido – pública;
4- Stanford – Estados Unidos – privada;
5- Caltech – Estados Unidos – privada;
6- Oxford – Reino Unido – pública;
7- UCL – Reino Unido – pública;
8- Imperial College London – Reino Unido – pública;
9- ETH Zurich – Suíça – pública;
10- University of Chicago – Estados Unidos – privada;

Ao analisarmos as 50 primeiras veremos que 34 são públicas e somente 16 são privadas! Todas as privadas inclusive são americanas, o que demonstra que o único país que erigiu um sistema de universidades privadas de excelência foi os Estados Unidos! Sendo que nos mesmos Estados Unidos a maioria das universidades é pública e muitas delas estão entre as melhores como Berkeley e UCLA – As universidades privadas americanas são totalmente diferentes do modelo empresarial vigente no Brasil e recebem muitos recursos do Estado!
No restante do mundo praticamente todas as universidades, incluindo as melhores são públicas, se fizer o mesmo exercício com o ARWU e o THE terá resultados semelhantes!

Continuou o valente

Onde estão seus argumentos? Quais universidades privadas brasileiras possuem qualidade? Educação não é mercadoria! Uma universidade produz conhecimento e não lucro!

E

Nossas universidades sao as melhores da América Latina e do mundo ibérico, a USP em primeiro lugar. Fora os Estados Unidos qual outro país possui um sistema privado de excelência?

Não sei se por burrice ou má-fé, nosso comentador esqueceu-se de afirmar que as universidades públicas que ele cita lá na lista, vejam só! Cobram anuidades nos cursos de graduação e pós-graduação. Uma graduação em Cambridge, por exemplo,  não sai por menos de 35 mil dólares anuais.

Nosso amigo Felipe se vangloria de que a USP ocupa a primeira posição na América Latina, porém, também não informa que a mesma USP no ranking mundial, está em 143º lugar.

Não basta ser ESCANDALOSAMENTE IMORAL que certa elite intelectual do Brasil seja sustentada pelo povão, também é ESCANCARADAMENTE VERGONHOSO que essa mesma elite figure em posições medianas em qualquer ranking internacional de avaliação das instituições de ensino superior. Torna-se ainda mais IMORAL, VEXATÓRIO E VERGONHOSO, quando observamos que a MAIOR parte dos recursos destinados à educação, vão justamente para as instituições de ensino superior.

Para Felipe Braga, tudo isso justifica que o ensino superior no Brasil permaneça como está. Para mim, tudo isso é prova inequívoca de que nosso suado dinheiro está sendo, mais uma vez, mal aplicado, e, portanto, tal modelo de financiamento deve ser redefinido.

Para fechar, segue outra pérola de comentário, desta vez, feito por Bárbara.

Que tal entrarmos na realidade brasileira?
Basta fazer uma pequena busca na internet para ver o ranking das melhores universidades do país não são de universidades privadas.
A sua colocação privatização das universidades federais e “quem tem mais condições financeiras, paga pela faculdade que pretende cursar” não passa de uma afirmação mesquinha e individualista.
E quem não tem a menor condição de pagar por um ensino superior? As universidades federais, através do ENEM, abriram uma porta importantíssima para essas pessoas.
O que você sugere, Jakson Miranda?
Que essas pessoas não tenham acesso a estudo de qualidade por não possuírem condições financeiras suficientes? Mas e ai? Elas fazem o que então?
Essas pessoas não merecem estudar na mesma universidade que os filhos de empresários herdeiros de grandes fortunas por não terem condições financeiras suficientes?
Me explica quem iria sair satisfeito nessa situação porque eu só vejo uma ínfima parte da população se beneficiando.
Monopolização do ensino de qualidade pra mim não é uma solução, muito pelo contrário, vejo muitos problemas por trás disso.
Desigualdade nunca será a solução.
Por favor, né.

Barbara, seu comentário foi bárbaro. Não me entenda mal, viu?! Não digo que é bárbaro no sentido figurativo. É bárbaro no seu sentido literal mesmo: rude, cruel e grosso ao lidar com a interpretação de um texto.

Não sei se você estuda em alguma universidade pública. Se estuda, não sei se você entrou pelo tradicional vestibular ou por meio do idiotizante ENEM. De qualquer modo, sua situação é Barbara e pode ser muito bem retratado como um belo exemplo da nossa educação, formadora de alunos que parcamente conseguem ler e interpretar um texto.

Por fim, é revelador que os pensadores de esquerda no Brasil e seus simpatizantes, defendam com veemência a manutenção das universidades públicas. É revelador pois é ali onde se observa a mais criminosa desigualdade, uma vez que é a maioria pobre quem paga pelos estudos de uma minoria rica. São hipócritas, demagogos e aproveitadores. Simples assim.

Por Jakson Miranda

 

8 thoughts on “Universidades Públicas no Brasil: Aonde o pobre paga os estudos dos ricos

  1. É a mais pura realidade: a maioria pobre paga pelos estudos de uma minoria rica. Contestar o que?
    Excelente texto, obrigada, abraços
    Maria Teresa

  2. O fato de as universidades britânicas cobrarem anuidades não faz delas universidades privadas! Cambridge e Oxford sao universidades públicas como a maioria esmagadora das universidades britânicas! Ocorre que no Reino Unido a população possui melhores condições que no Brasil, onde mesmo com a gratuidade alunos mais pobres possuem maior dificuldade de entrar nas melhores universidades públicas, que dirá se cobrarmos taxas!
    A maioria dos alunos dessas universidades possuem bolsas e descontos, você se engana muito se acha que essas universidades sobrevivem de mensalidades – a maior parte do orçamento provém do Estado e de endowment além das patentes de pesquisa!
    Sobre os rankings, você já se atentou ao fato de Cambridge possuir um orçamento semelhante ao da USP (em média 5 bilhões) porém contar com 18 mil alunos enquanto a USP possui 95 mil, além de Cambridge adotar a língua da ciência? O inglês!
    Gostaria que você desse uma olhada nesse link, explica muito bem q situação: https://crisenausp.wordpress.com/
    Por fim, você disse que defende outras formas de orçamento, eu lhe pergunto: quais?
    A melhor maneira de democratizar as universidades públicas é adotar temporariamente cotas para estudantes provenientes de colégios públicos a curto prazo e melhorar a qualidade da educação pública básica a longo prazo, não obstante o fato de você exagerar caricaturalmente a situação: eu mesmo sou pobre e estudo na USP, e sem nenhuma cota!
    Para tornar mais justa a carga tributária brasileira eu sugiro taxar a renda e não o consumo, assim seria mais justo!
    Por fim, não ajo com ignorância nem má-fé, somente discordo do seu ponto de vista, nao e você quem defende a liberdade? Por favor respeite quem discorda de você!

  3. Interessante o debate, mas queria saber do autor a resposta para o questionamento da Bárbara… pois também acho que a gestão deve ser privada das universidades, mas com acesso facilitado a pessoas que não tem condições financeiras… por isso gostaria da resposta do autor para o questionamento, e não apenas falar que o comentário é bárbaro… no meu entender, realmente o sistema atual é um sistema fadado a corrupções… pra qm não sabe, as federais, são um antro de corrupção… talvez ninguém imagina o que passa lá dentro… é pura politicagem… porém, como fazer para tirar a gestão pública sem tirar o benefício de educação para os de classe menos privilegiada (aqui falo financeiro e não cotas)?

    1. Bom dia Eron. Obrigado pelo comentário! Eron, a solução é simples. Todos participam do processo seletivo, próprio da universidade ou via ENEM. Os candidatos aprovados, teriam que comprovar renda familiar, como acontece ao pedir um financiamento, por exemplo, a partir de uma renda de corte, a mensalidade é cobrada. Supomos uma família com renda familiar de 15 mil reais. Oras, eles têm perfeita condições de pagar mensalidades de 2.000 para um curso de medicina. (Por exemplo) Concorda?

      Agora, o candidato aprovado e comprovadamente de baixa renda, que trabalha para ganhar 2.500 para sustentar a família, (por exemplo), automaticamente ingressa no curso de forma gratuita.

      A questão é: Quem tem condições paga. Quem não tem, não paga.

      Abraço.

  4. Amei seu texto!!!
    Quando começarmos a ter uma educação de qualidade desde a pré-escola,aí sim vamos ter condições de concorrer com os privilegiados filhos da elite.Lembrando que já alcançamos um passo de praticamente todos os cidadãos hoje ter acessibilidade ao ensino,porém e mais importante ‘não são construções inacabadas que vão formar alunos”.Fico muito triste com a situação que nos encontramos nesse país tão rico,com condições de dar uma vida melhor para cada cidadão,mas pela corrupção nos faz gemer calados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *