Valeu a pena, D. Marisa?

D. Marisa Letícia, mulher do ex-presidente Lula, está internada no hospital Sírio Libanês, vitima de um AVC.

Nesses momentos, não é preciso ser muito inteligente para separar as coisas. Seu estado de saúde não é sinônimo de justiça. Todos nós temos nossas dores.

Assim, regozijar-se das dores alheias nos leva a concluir que mesmo diante da certeza de que a vida é breve, encontramos espaço à torpeza.

Marisa não é minha inimiga e mesmo se assim a visse, sou constrangido pelo ensinamento de Jesus que me exorta a amar meus inimigos e orar pelos que me perseguem. MT 5: 44

Portanto, desejo a esposa do ex-presidente, saúde e vida longa. Isso, no entanto, não anula meu desejo de que a justiça dos homens seja feita, para inocentá-la ou para condená-la.

Mas, o que raios tudo isso tem a ver com o título ?

Ou, não é o título um lembrete do milenar adágio que nos diz que, aqui se faz aqui se paga?

Definitivamente, não!

2017 não começou bem. O mal resolveu aparecer já nos primeiros dias do ano, com as barbáries ocorridas nos presídios.

Dias atrás, uma tragédia tirou a vida do ministro Teori.

O Brasil está passando por um período lúgubre.

Não conseguimos e jamais conseguiremos mensurar a dor de familiares e amigos que perderam alguém, ou que têm uma mãe na UTI de um hospital.

Deste modo, vem a indagação: Valeu a pena, D. Marisa?

O que fizemos, o que estamos fazendo, realmente vale a pena? Qual a medida?

Inevitavelmente esses questionamentos nos direcionam ao poema de Fernando Pessoa, Mar Portuguez, onde encontramos o seguinte:

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Ser atendido pelos melhores médicos; estar rodeado de pessoas influentes não nos autoriza a dizer que possuímos uma alma grande, mas, podem oferecer uma medida do nosso egoísmo e, portanto, de uma alma apequenada.

Continua Pessoa

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Grandes almas, se despojando de vaidades, orgulhos e egoísmos, superam dores. Superam desafios. E deixam para os seus, algo em que eles possam se espelhar.

Não podemos almejar outra coisa.

Nosso pensamento é que D. Marisa volte para casa e para os seus, e mesmo nesse atual estágio da sua saúde, e isso vale para todos nós, possa avaliar o legado que um dia ficará para filhos, netos, bisnetos e amigos.

Por Jakson Miranda

P.S. Não perca a chance de ganhar o excelente box A Revolta de Atlas, escrito pela magistral Ayn Rand. Aproveite, veja as regras do sorteio e participe. Você ajuda nossa página e aumenta sua lista de leitura. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *